Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quinta-feira, dezembro 11, 2008

A solidão e sua porta




















Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),

quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

com tudo o que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.

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Dedico esse soneto do Carlos Pena Filho
ao meu filhão Maurício
e ao compadre e poeta Diógenes Afonso.



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Fonte da imagem:
http://www.treklens.com/gallery/South_America/Brazil/Northeast/Alagoas/photo400329.htm


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