Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

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quinta-feira, dezembro 25, 2008

Natividade 3 ( o advento )


“Um menino nasceu para nós” (Is 9,5).



com o corpo terrestre dos mortais,
com a vulnerável e tenra idade das crianças


e apesar do ateísmo que me alcança,
rendo-me a Ele,
pois não faz sentido
viver sem esperança
e, Nele, louvo a natividade
de todas as crianças.



Eurico
25/12/2008
Feliz niver, menino-deus!!!

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Natividade 2 ( luzes: o despertar )

















Ali não havia eletricidade.

Por isso foi à luz de uma vela mortiça
Que li, inserto na cama,
O que estava à mão para ler —
A Bíblia, em português (coisa curiosa), feita para protestantes.

E reli a "Primeira Epístola aos Coríntios".

Em torno de mim o sossego excessivo de noite de província
Fazia um grande barulho ao contrário,
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.

A "Primeira Epístola aos Coríntios" ...

Relia-a à luz de uma vela subitamente antiqüíssima,
E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...

Sou nada...

Sou uma ficção...

Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
"Se eu não tivesse a caridade."
E a soberana luz manda, e do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma é livre...

"Se eu não tivesse a caridade..."
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade! ...





Poema de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Em tempo: o título é da postagem e não do poema!

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quarta-feira, dezembro 24, 2008

Natividade 1 (O Kitsch)



As mais belas mentiras habitam aqui.
Nessa selva armada de concreto e cal.

Jogos de artifício.
Luzes de ilusão.
Magos mercadores,
Presti/digitação.

Verdes ruas doiradas,
feérica vermelhidão!

Nevascas fabricadas
com papel crepom,
Estrelas cintilantes
de processador,
e o excessivo choque
de imagem e de som.

As mais belas mentiras habitam aqui,
Nessa selva armada de concreto e cal.


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