Uma Epígrafe
"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]
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terça-feira, dezembro 18, 2012
VIDA SECA
Não há muito por dizer
e as palavras que restaram estão gastas.
Errar, légua após légua,
assim por dentro, um ermo.
Errar pelo deserto
à busca de mim mesmo.
Toda essa luz na estrada e a boca seca.
Só me resta essa demasiada sede de viver.
Fonte da img.:
AbARCA
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sexta-feira, agosto 03, 2012
DEMARCAÇÃO DA POESIA Nº 1
Ao meu mestre e amigo Emanuel Bezerra de Brito
Meu canto é que nem um filete d’água
minando a pulso de um lajeiro.
É assim, arrastado, gutural,
canto monossilábico, melopéia pungente,
arrancada da pedra que sangra no reino de meu peito.
Canto esse meu canto agoniado, esse relincho, esse mugir,
essa infralinguagem,como a linguagem dos bichos
que tanjo em meu sertão profundo..
Vou cantando e tangendo esse gado invisível,
por entre espinharas sibilantes e seixos esbraseados.
Meu canto germina,
feito um cardeiro em minha alma de abrolhos,
na solidão e no silêncio,
durante as léguas tiranas dessa caatinga interior.
Dessa terra rachada e sem húmus,
exsurge um léxico raquítico,
vocábulos mínimos
que se alongam, tristes aboios, mugidos,
na minha garganta rouca e ressecada.
Com a morte em minhas lembranças
e a dor em minhas andanças,
canto uma agonia fechada, solitária,
universo parco de cabras e pedras,
quase sem palavras com que se cantar.
Eurico
in: Ser Tão Profundo/Mangue Interior
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segunda-feira, julho 30, 2012
CHAPADA DO ARARIPE

Do alto da chapada do Araripe,
encho o peito e brado em alta voz
o nome das virtudes humanas
(como aconselham os adeptos da auto-sugestão)
E eu grito:
Perseverança.
Coragem.
Fé.
Nada mudou.
Nada.
Só ouço o ecoar das palavras...
Lembro do Exército da Salvação
com zabumbas, na feira do Exu,
a pregar a segunda vinda de N. S. Jesus Cristo.
E eu brado, ainda, a favor dos ventos:
O fim está próximo!
Ouvem-se apenas o eco das minhas incertezas...
Quando se é jovem e nietzscheano
aventa-se para o amor fati,
ou para uma amoral vontade de poder.
Os estudantes saltam pra morte
do prédio das Ciências Humanas da UFPE.
Deviam vir todos saltar cá da chapada.
A morte aqui tem mais poesia...
Eu, que tenho medo da morte em queda livre,
encolho-me em volta do meu umbigo,
retorno à posição fetal:
De onde me virá o perigo?
Onde me abrigarei do mal?
Absolutamente só,
em meio a essa imensa legião humana.
Ouço seus gritos por sortes,
por crenças,
com uma inocência quase lotérica.
Absolutamente só
me invade uma súbita desolação
uma descrença dos livros e das palavras.
Resta-me ainda São Paulo Apóstolo:
Sou Nada. (1 Cor. 13)
Isso eu sei que sou!
Meu Deus!
Vejam a imensidão dessa chapada!
E o eco imenso a responder, do fundo do canion:
Nada... nada... nada...
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Sertão de Pernambuco
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segunda-feira, agosto 08, 2011
PELEJA

A Carlos Pena Filho
Acender uma fogueira
Sobre os destroços da fúria:
Dizer o dom mais terrível
No tom da mais vil ternura.
Por monossílabos vastos
Cantar o avêsso, a feiúra.
Atravessar a existência,
Esse fado, essa caatinga,
Com a Língua ressecada
E o estio dentro da fala.
Domar a Onça suasssuna
Da Vida graciliana,
Inda que o peito lanhado
Pela palavra, cardeiro;
Pela palavra, essa morte.
Aboiar angustiado,
Rumor de vozes queimando:
Viver é ser renitente,
Acender uma fogueira
Sobre os destroços, os destroços,
(...ai, que légua tão tirana...)
sobre os destroços da fúria.
Eurico
3º Lugar no Salão Pernambucano de Poesia – 1994
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Fonte da imagem:
http://www.ecodebate.com.br/2009/06/18/desertificacao-ameaca-pelo-menos-cem-paises/
Incelença pra terra que o sol matou
Elomar, Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Heraldo do Monte
Bastidores da Peleja aqui
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quarta-feira, março 23, 2011
TAIPA
Minh'alma
uma velha casa de taipa encardida
num perdido rincão
esses sertões...
a minha alma deserta e milenária.
Paredes rubras, a minh’alma,
barro curtindo ao sol
e uns oleiros ébrios à sombra do poente...
Ó minha alma, soçobro!
O balido dos rebanhos de cabras nos terreiros
e eu, ainda sóbrio.
A minh’alma sedenta, sem Deus.
E te ausculto, minh'alma
E te oiço, minh'alma
de alhures, te miro
na pátina de nossas construções exteriores...
os dedos demiurgos na lama avermelhada
essa argila descorada,
a minh’alma de taipa
Um oleiro ébrio brinda ainda,
nos debruns da tarde,
a casa erguida com as próprias mãos:
A Deus!
Há Deus?
Minh'alma esboroa-se...
Frágil e deserta.
Adeus.
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http://fatosefotosdacaatinga.blogspot.com/2010/08/seca-e-os-animais-na-caatinga_08.html
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terça-feira, março 22, 2011
CARCARÁ (linossignos onomatopaicos)

O Carcará
(volataria rés-do-chão, ou um close-up cabralino)
O carcará é o eco do eco,
Do eco seco,
Onomatopaico eco.
Falcão modesto
E sem estirpe
Que, não se apresta, de resto,
Aos exercícios fidalgos
Da caça em volataria.
Voa rés-do-chão, rasante,
Vôo sem nada elegante
Aqui mesmo, nas barrancas
À jusante ou à montante,
do leito seco do rio.
Tem um pouco de caprino (cabra alada?)
Quando escava o chão infértil
No vão das palmas de espinhos,
caçando o rato-preá
que se esconde entre as raízes.
Um pouco de cabra ou de ema,
Outra ave de pouco senso,
Pois não escolhe alimento.
Come tudo. Rato, lagarto e cobra.
Outra ave de pouco senso,
Pois não escolhe alimento.
Come tudo. Rato, lagarto e cobra.
E por que haveria de escolher
entre as pedras da escassez?
Vai reto e certeiro, ao ponto.
Bicho do mato, agreste e rude,
Não faz o arrodeio e o rito
Funéreo, assim como o abutre
Que espera a morte matar.
A fome, que dá sentido
Ao seu jeito de caçar,
Não lhe permite a espera.
E nem se diz que ele caça,
Pois caça é arte mui nobre,
Pra um bicho pobre e sem raça
Pra um bicho sem sobrenome.
O carcará vai bem reto
Guiado por sua fome
Não metaforiza a lida,
Não tem pena, não vacila,
Que nenhum dó lhe consome.
Pega e arrasta a lagartixa
Abre-lhe o ventre
E, ali, come.
Lições de vida
Pros homens,
Crias da caatinga braba,
Ventres e bocas aflitas,
São os carcarás e as cabras,
Emas, ratos, lagartixas;
Lições de vida
E de morte.
De fado, de sina e sorte,
Homem e bicho
Vai reto e certeiro, ao ponto.
Bicho do mato, agreste e rude,
Não faz o arrodeio e o rito
Funéreo, assim como o abutre
Que espera a morte matar.
A fome, que dá sentido
Ao seu jeito de caçar,
Não lhe permite a espera.
E nem se diz que ele caça,
Pois caça é arte mui nobre,
Pra um bicho pobre e sem raça
Pra um bicho sem sobrenome.
O carcará vai bem reto
Guiado por sua fome
Não metaforiza a lida,
Não tem pena, não vacila,
Que nenhum dó lhe consome.
Pega e arrasta a lagartixa
Abre-lhe o ventre
E, ali, come.
Lições de vida
Pros homens,
Crias da caatinga braba,
Ventres e bocas aflitas,
São os carcarás e as cabras,
Emas, ratos, lagartixas;
Lições de vida
E de morte.
De fado, de sina e sorte,
Homem e bicho
Bicho e homem.
Fauna em flora estiolada.
Juntos na mesma desdita.
***********************************
Eurico,
reeditando signos cíclicos...rsrs***********************************
Eurico,
***********************************
Éverton Vidal.
sábado, março 19, 2011
UAUÁ (linossignos oscilantes)
![]() |
| Pirilampos (in Firefly Flashing) |
Chegaríamos na noite,
noite profunda,
noite ignara e hermética,
depois duma escuridão de léguas...
O sereno, no entanto,
molhava as c'roas e as palmas
e nos breus, de instante a instante
flutuavam
dois fonemas oscilantes
Uauá
lume aceso que se apaga,
que outra vez lucila e apaga,
lume que vaga, e não vaga
pelas barrancas do arroio
Uauá
(borbulhar luminescente...)
E eu que tinha algo a dizer,
Calei-me.
Na noite densa,
gelada, feito a orla do deserto,
deu-me um calafrio de tragédia.
Naquela chã, ainda ecoa o genocídio
:
As estrelas eram os olhinhos
das menininhas tapuias que as gentes viam na noite.
Apagaram-se as estrelas.
As indiazinhas, também.
Restaram os vagalumes, soluços de luz,
Uauás (so)lucilantes.
Rio-abaixo,
mais adiante
era Canudos, Bello Monte,
à jusante
do velho Vaza-barris...
Era Canudos, num é mais.
Nosso Senhor assim quis...
Lá, meus irmãos, no entanto,
já não brilham pirilampos, como brilham por aqui
:
Furaram os olhos dos santos
e inundaram a Matriz...
Eurico
"em viagem, metonímica e sinestésica, pelos sertões"
Fonte da imagem:
Pirilampos
quinta-feira, dezembro 16, 2010
NA VELHA ESTRADA DE IBIMIRIM (cismas no ocaso)
Era estreita e sinuosa
a antiga estrada de Ibimirim.
Os pequenos aclives nos tiravam a visão.
Num fim da tarde, uma boiada
surgiu no horizonte, vagarosamente.
Ágil e presto, o motorista, em ziguezagues,
nos salvou do choque.
Seguimos ilesos, bois e passageiros.
Nunca me esquecerei dos grandes olhos daquele boi manso,
em minhas retinas tão fatigadas.
A viagem seguiu serena.
Somos pequeninos e frágeis sobre rodas.
Somos pequeninos e frágeis, sempre.
A parte disso, temos tantas certezas,
tantas fortalezas,
confiamos em nosso absoluto domínio
sobre as coisas em derredor.
Quando voamos na autoestrada,
rimos, confiantes, feito as formigas sobre a mesa,
antes de lhes
darmos um piparote.
É...
o mundo não anda nada poético...
Tento entender o que diz um telejornal.
Explico-me:
tento tirar algo mais do que dados economicos,
estatísticas de mortes no trânsito,
performance das vendas do Natal;
quanto há ali de profundamente humano,
quanto há de esforço pela compreensão da vida humana...
Queria ouvir falar de valores, não os da bolsa.
Aliás, valor é uma palavra dúbia,
e sob certo sentido, obsoleta.
Não se adequaria num telejornal.
Como encaixar valor, neste cenário pós-moderno?
Eis que estou a tresvariar.
A boiada... os olhos do boi manso pelo retrovisor...
O susto.
Sob o impacto de certas emoções,
fica difícil dizer algo coerente.
Muito mais dificil fica a poesia...
Sabe, aquele ágil motorista, o que nos salvou a vida
na velha estrada de Ibimirim, soube dele dia desses...
a bebida...
a tristeza...
a velhice... as perdas,
Essas coisas que não ficam muito claras nos telejornais...
Esse sentido da vida... se há nela algum sentido.
A necessidade de ser veloz, de fugir de si mesmo...
Os ziguezagues da estrada...
As perdas no meio do caminho.
Essa enorme e abstrata pedra...
...que a viagem dele tenha sido serena...
Fonte da imagem:
Uma velha estrada
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sexta-feira, dezembro 10, 2010
Cantiga da Flor de Cacto

Há um logos da caatinga
que me circunda e sou eu.
Nessa flora estiolada,
palpita um nervo de D'us...
Fiz inúteis cavalgadas
a procurar quintessências.
Regressei de mãos vazias.
Minha alma então cansada
de deambular por chapadas,
cruzando o sertão bravio,
voltou-se pras minudências,
e desvendou, ad-mirada,
na flor que enfrenta o estio,
o mistério da existência.
Quase palpei com as pupilas
a miúda flor de cacto,
essa líquida ironia,
que umedeceu minha alma.
E a divindade, buscada
por inacessíveis plagas,
brotou ao alcance da palma
de minha mão estendida,
na flor da beira da estrada.
Há um logos da caatinga
e o que me circunda sou eu.
Na vegetação rasteira,
palpita um nervo de D'us...
que me circunda e sou eu.
Nessa flora estiolada,
palpita um nervo de D'us...
Fiz inúteis cavalgadas
a procurar quintessências.
Regressei de mãos vazias.
Minha alma então cansada
de deambular por chapadas,
cruzando o sertão bravio,
voltou-se pras minudências,
e desvendou, ad-mirada,
na flor que enfrenta o estio,
o mistério da existência.
Quase palpei com as pupilas
a miúda flor de cacto,
essa líquida ironia,
que umedeceu minha alma.
E a divindade, buscada
por inacessíveis plagas,
brotou ao alcance da palma
de minha mão estendida,
na flor da beira da estrada.
Há um logos da caatinga
e o que me circunda sou eu.
Na vegetação rasteira,
palpita um nervo de D'us...
***
N. do A.: cantiga dedicada aos poetas blogueiros,
cuja clareza textual me faz buscar a simplicidade,
que julgo não alcançar, mesmo nessa espécie de xote.
cuja clareza textual me faz buscar a simplicidade,
que julgo não alcançar, mesmo nessa espécie de xote.
***
fonte da img.:
.
quinta-feira, dezembro 09, 2010
Mandacaru em flor

Olhai para as flores do campo ...
Mt 6:28
Das rotinas profundas
de seiva e de caules,
repetindo gestos,
pacientemente,
careço entender...
Que os momentos são copas do tempo.
Que a corola da flor é o momento presente.
Vem da erva que brota do chão,
da semente,
todo esse vigor.
Vem da alma da terra,
essa mente,
essa e/terna/mente.
Vem do viço da terra,
da hera, das eras,
do trabalho incessante
do tempo em aquíferos fundos,
profundos abismos
e grotas da terra exsicada...
repetindo gestos,
pacientemente,
careço entender...
Que os momentos são copas do tempo.
Que a corola da flor é o momento presente.
Vem da erva que brota do chão,
da semente,
todo esse vigor.
Vem da alma da terra,
essa mente,
essa e/terna/mente.
Vem do viço da terra,
da hera, das eras,
do trabalho incessante
do tempo em aquíferos fundos,
profundos abismos
e grotas da terra exsicada...
*
Ó, Flor da Água e do Tempo,
me ensina a esperar!
***
Eurico
com o Sertão aflorando n'alma
******************
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terça-feira, dezembro 07, 2010
BELÉM (o milagre das águas)

Quando vem a invernada e a ventania,
o milagre e a poíesis se confundem no sertão.
Dos poros da areia estéril
emergem filetes d’água
que, descendo dos barrancos,
soprados pela espinhara,
vão tornando as enxurradas
em multidão de afluentes:
Riachos
da Conceição,
dos Serrotes Brancos, Quixaba,
do Meio, da Santa Fé, de Baixo,
do Paraguá, Vaca Morta, do Sebo,
do Pau-Ferro, Pequeno, Ouricuri,
do Juazeiro, da Porta, do Umbuzeiro,
das Caraíbas, da Malhada Grande, Pocinhos, Tigre,
do Mateus, Caroá, Arapuá, Ipueira, Fechado, Traíras, Jequi,
Arroios
dos Brandões,
da Pedra, Fundo, Grande, Talhado, do Saguim,
de Baixo, da Serra, da Boa Esperança, Saco dos Cavalos,
da Macambira, do Logradouro, do Mocó,
do Retiro, da Simpatia, do Moleque, da Cachoeira,
da Pedra, da Estiveira, do Simões,
do Capim, do Cachorro, do Mulungu,
da Ingazeira, do Serrote, S. José,
da Várzea, do Iço, do Capim Grosso, Bom Viver,
da Tocaia, das Ipueiras, do Moselo, do Caldeirão, Água Ruim,
do Mari, das Pintadinhas e das Cabaças.
Brotam do chão seco as Lagoas
da Jurema, de Dentro,
do Campo Comprido, do Pajeú, da Areia, Grande,
do Tapuio, dos Algodões, da Espadilha, do Pombo,
dos Pregos, da Vassoura, da Malhada Vermelha, de Santana,
da Pedra Vermelha e das Pintadinhas,
E os abençoados Açudes
Riacho Pequeno e o Poço da Caatinga.
Tudo isso é pura poíesis!
Milagrosa hidrologia!
E pensar que há um imenso lençol de águas claras
sob a sedenta e semi-árida Cabrobó,
que se estende, subterrâneo, até a nossa Belém,
do São Francisco.
Os geólogos, incréus, afirmam que
a permeabilidade do solo sertanejo
foram o ensejo
para que esse imenso aquífero
escapasse da evaporação do Sol causticante.
Eu prefiro o milagre e a poesia!
Eu prefiro poetizar forças aórgicas, milenárias,
guardando, demiúrgicas, as águas,
contendo a inclemência do Sol,
e abrindo caudais, sob o solo esturricado.
Eu creio no milagre em Belém...
Fonte da imagem:
Imbu Brasil
Dados hidrográficos:
recolhidos do Google.
Eurico
Ainda o mergulho (natalino) no Sertão profundo de mim.
Há milagres e Deus, na natureza como ela é...
sábado, dezembro 04, 2010
DAS DORES (releitura em Eleanor Rigby)

...................................a Lennon e McCartney
Das Dores era uma mulher solitária.
Habitava uma casinha de taipa no sertão do Exu,
E criava muitas cabras, todas pretas, soltas pela caatinga.
Só costumava ir à missa
nos dias em que havia casamento,
a ver se conseguia pegar o buquê.
Nesses dias o velho padre lhe falava da salvação da alma.
Flores na mão, seguia rindo, pela estrada empoeirada.
Ria muito, aquela mulher, casta e solitária.
Ria, não se sabe de quê.
As cabras a seguiam, em cortejo, comendo as flores murchas.
Quando morreu não havia ninguém no enterro.
As cabras não vieram: não houve flores.
Somente o vulto de uma cadela, preta e triste, rondava o campo santo.
O velho pároco recitou um trecho do Sermão de Santo Antonio aos Peixes, à beira da cova rasa.
“Vos estis sal terrae...”
Um inútil sermão para uma alma extinta e breve.
Que o sal dessa terra seca lhe seja leve...
***************************************
Eurico uma releitura livre e
ditada pela emoção que sinto ao ouvir Eleanor Rigby.
AH, LOOK AT ALL THE LONELY PEOPLE!
AH, LOOK AT ALL THE LONELY PEOPLE!
ELEANOR RIGBY PICKS UP THE RICE IN THE CHURCH
WHERE A WEDDING HAS BEEN
LIVES IN A DREAM
WAITS AT THE WINDOW
WEARING A FACE THAT SHE KEEPS IN A JAR BY THE DOOR
WHO IS IT FOR?
ALL THE LONELY PEOPLE
WHERE DO THEY ALL COME FROM?
ALL THE LONELY PEOPLE
WHERE DO THEY ALL BELONG?
FATHER MCKENZIE, WRITING THE WORDS OF A SERMON
THAT NO ONE WILL HEAR
NO ONE COMES NEAR
LOOK AT HIM WORKING, DARNING HIS SOCKS IN THE NIGHT
WHEN THERE´S NOBODY THERE
WHAT DOES HE CARE?
ALL THE LONELY PEOPLE...
ELEANOR RIGBY DIED IN THE CHURCH
AND WAS BURIED ALONG WITH HER NAME
NOBODY CAME
FATHER MCKENZIE WIPING THE DIRT FROM HIS HANDS
AS HE WALKS FROM THE GRAVE
NO ONE WAS SAVED
ALL THE LONELY PEOPLE...
AH, LOOK AT ALL THE LONELY PEOPLE!...
Mormente, ao ler a versão da Cássia Eller.
Ohw, olhe pra todas as pessoas solitárias...
Ohw, olhe pra todas as pessoas solitárias...
Eleanor rigby recolhe arroz na igreja
Onde houve um casamento
Vive num sonho
Espera na janela
Ostentando um rosto que ela deixa numa jarra ao lado da porta
Para quem é isso?
Todas as pessoas solitárias...
De onde elas vem?
Todas as pessoas solitárias...
A onde elas pertencem?
Padre Mckenzie escrevendo um sermão
Que ninguém vai ouvir
Ninguém se aproxima
Olhe pra ele trabalhando, costurando suas meias à noite
Quando ninguém está lá
Pro quê ele se importa?
Eleanor rigby morreu na igreja
E foi enterrada junto com seu nome
Ninguém veio
Padre Mckenzie limpando a sujeira das mãos
Enquanto caminha da sepultura
Ninguém foi salvo
Moral do poeminha:há solidão em qualquer lugar,
em Liverpool
ou no Exu.
**************************************
Fonte da imagem:Ohw, olhe pra todas as pessoas solitárias...
Ohw, olhe pra todas as pessoas solitárias...
Eleanor rigby recolhe arroz na igreja
Onde houve um casamento
Vive num sonho
Espera na janela
Ostentando um rosto que ela deixa numa jarra ao lado da porta
Para quem é isso?
Todas as pessoas solitárias...
De onde elas vem?
Todas as pessoas solitárias...
A onde elas pertencem?
Padre Mckenzie escrevendo um sermão
Que ninguém vai ouvir
Ninguém se aproxima
Olhe pra ele trabalhando, costurando suas meias à noite
Quando ninguém está lá
Pro quê ele se importa?
Eleanor rigby morreu na igreja
E foi enterrada junto com seu nome
Ninguém veio
Padre Mckenzie limpando a sujeira das mãos
Enquanto caminha da sepultura
Ninguém foi salvo
Moral do poeminha:há solidão em qualquer lugar,
em Liverpool
ou no Exu.
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Vidas Secas
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segunda-feira, novembro 01, 2010
PELEJA

Acender uma fogueira
Sobre os destroços da fúria:
Dizer o dom mais terrível
No tom da mais vil ternura.
Por monossílabos vastos
Cantar o avêsso, a feiúra.
Atravessar a existência,
Esse fado, essa caatinga,
Com a Língua ressecada
E o estio dentro da fala.
Domar a Onça suasssuna
Da Vida graciliana,
Inda que o peito lanhado
Pela palavra, cardeiro;
Pela palavra, essa morte.
Aboiar angustiado,
Rumor de vozes queimando:
Viver é ser renitente,
Acender uma fogueira
Sobre os destroços, os destroços,
(...ai, que légua tão tirana...)
sobre os destroços da fúria.
Luiz Eurico de Melo Neto(3º Lugar no Salão Pernambucano de Poesia – 1994)
Fonte da Imagem:
Ruínas da Capela de Canudos
Nota do blogueiro:
A mesma República positivista, que via os nordestinos como uma sub-raça,
hoje é obrigada a repensar suas teses: o maior líder desse país é um sábio e valente nordestino, que traz no sangue a estirpe dos bravos, dos renitentes, dos que superam a escassez e a fome, dos que jamais desistem de sua peleja.
Essa postagem homenageia os nordestinos, que, por votação histórica, pelejaram contra os adversários do bem comum, como um dia lutamos em Canudos. Estamos refazendo os caminhos da história e "acendendo uma fogueira sobre os destroços da fúria."
Em tempo:
e para fazer justiça ao povo fluminense e mineiro, quase metade do povo de Sampa e do Rio Grande do Sul, e metade das demais regiões deste Brasil que votaram na primeira mulher presidenta; ao mesmo tempo abraçar os que votaram na oposição, por entender que somos uma só nação, fraterna, cordial, solidária (basta lembrar da ajuda aos desabrigados das enchentes do nordeste), por tudo isso quero saudar a democracia, a liberdade e a sabedoria de todos os que escolheram manter a atual política, que diminui os extremos, que distribui renda, que dá início à construção de um Brasil com mais igualdade entre as regiões, que é bom pra todos os brasileiros e brasileiras.
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sábado, março 13, 2010
Eu-menino (pequena fauna poética)
Quando eu-menino ouvia
os lobos da ventania
soprando ovelhas nas nuvens.
Meu coração disparava
(me dava um medo esquisito,
seria isso um meu mito?)
e eu me abraçava, eu-menino,
a um vira-latas mofino,
que nem eu era, também,
franzino e desamparado.
E eu lhe dizia ao ouvido:
(não tenha medo, Bandit,
mamãe foi ali, na feira,
papai já vem do trabalho).
Quando eu estava inquieto
me acalmavam lebristas
que nadavam em garrafas
translúcidas, ornamentais.
Ornamentais, os meus saltos
de pontes imaginárias,
a mergulhar nesse rio,
heraclitiano rio,
que não parava, e não pára...
Por esse tempo ainda
me andava a alma contrita
com as sensações de meu corpo:
um tio meu criava porcos
e eu os via javalis;
Minha avó bordava rendas.
Trago os bilros dentro em mim,
e costuro pelo avesso
isso que ledes aqui.
Meu avô me dava livros:
Lobato, Andersen, Grimm.
Onde os trago?
E eu lá sei!
Mas emoções são perigos:
um dia quase me mato,
(se não fosse a borboleta,
a cochilar no casulo,
que me chamou a atenção...)
quase que, pássaro, pulo,
em queda livre e ligeira
do alto da pitombeira.
Mas não sabia voar.
Dançar? Dançar eu sabia,
essa dança ligeirinha
(umbigadas/rock and roll)
dos bodes nas cabritinhas,
bicho-do-mato que sou.
Vou lhes contar um segredo
há muito tempo guardado:
as emoções são crianças,
aprendem fácil a brincar
e gestam lendas e mitos
(que lhes sopram anjos bonitos)
de lobos, nuvens, cabritos.
Esses ditos viram escritos
que gente velha e sisuda
vai seu mistério estudar...
Se isso é poesia?
E eu sei lá!
*
A imagem é um esboço em papel de seda
para um óleo sobre tela de autoria
de meu saudoso avô Luiz Eurico de Melo
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quarta-feira, setembro 09, 2009
Tocata e fuga (à vida que passa)

imagem google
Trago por dentro a força do toró
que arroja esse vento nordeste
Sinto no peito os rasgos, os riscos
que no céu fazem os coriscos...
Estou a ribombar no solo agreste,
na desapiedada percussão dos pingos
despedaçando telhas e sapés
Rasgando zincos...
Estou tempestade bruta
E abrupta;
Violento aguaceiro
que mergulha em meu mundar no mundo,
Sinfonia aórgica
Melodia dodecafônica, sem opus do humano;
arrostando isso que passa, e eu com ela.
Estou lutando sob a chuvarada,
nessa agreste des/harmonia,
em que as partes e o todo
se engastam e se desgastam,antagônicas:
Luta sinfônica,
largos compassos, descompassos
desconexos adágios;
golpes no ar, de maestro ou de ágil
pugilista.
No entanto, soa um gongo secular,
e a minha chuva faz silêncio,
e a força cessa, devagar.
Profundo e aquático silêncio...
Pausa.
Dorida pausa.
E, nesse momento,
caem-me, silentes,
as gotas, vindas de um céu cinzento;
com a música grave de garoa calma,
a deslizar pelos declives d’alma,
qual melancólica canção depois da enchente...
Cessa a enxurrada,
mas, a escorrer das calhas invisíveis
de u'a moenda centenária,
Ouço esvair-se líquida essa ária.
Eis minha fuga, pela linha d'água...
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terça-feira, agosto 18, 2009
Alcácer-quibir revisitada

Uma monocromia armorial
dedicada a Dom Ariano Villar Suassuna
Vermelhidões no poente,
céu sangüíneo, incandescente.
Da porfia oiço o alarido:
Rezas,
.......rajadas,
...............rugidos.
sonho um sonho mal dormido:
de morte, em luta renhida,
foi Dom Sebastião malferido?
Feito de sonho é o que vejo:
estranhos carros de fogo
cruzam os céus sertanejos.
Ungem de luz a caatinga
Essas flamejantes bigas.
Vermelhidões no poente:
Seriam sarças ardentes?
Nos sertões os céus tão rubros:
sangue na chã de Canudos?
Ao longe oiço estampidos:
raios,
......trovões
............. e gemidos...
Vermelhidões no poente
rumores de gado e gente
clamor do sangue inocente:
hereges sangrando os crentes?
sonho um sonho mal dormido:
de morte,( ouço o rugido)
foi o Prinspe atingido?...
Vermelhidões no poente:
crepúsculo enceguecente,
E, em estranho disco de fogo,
vejo Dom Sebastião soerguido...
Eurico
Fonte do texto:
meu inédito, Ser/tão profundo - Mangue interior,
Fonte imagem:Batalha de Alcácer-quibir
segunda-feira, agosto 17, 2009
Canudos às avessas...

Numa época de engajamento em política estudantil, e de literatura com propósitos ideológicos, escrevi o poema que abaixo transcrevo, e que foi baseado numa observação feita por Ariano Suassuna, na qual ele vaticinava que as grandes favelas urbanas estão sitiando as cidades brasileiras, quase num Canudos às avessas:
CIDADE SITIADA
"Cai o orvalho na face do escravo,
Cai o orvalho da face do algoz
Cresce, cresce seara vermelha
Cresce, cresce vingança feroz”
................(Castro Alves)
Sobre as colinas ao teu redor
O ódio cresce
E te espreitam as tuas vítimas,
Enquanto danças na orgia
Do selvagem capital
Te embriaga o vinhoto
O CO2
A fumaça.
Tocaiam os enjeitados: negros, mulheres, crianças...
― Tu danças e o tempo passa...
o tempo passa e tu danças...―
Breve, a cruenta vingança
Dos operários famintos,
Das putas mais sifilíticas,
Dos trombadinhas lanzudos
(descenderão de Canudos?)
Breve, ó mãe dos burgueses ricos,
Uma legião de nanicos
Vinda do alto-sertão
Fará a grande invasão:
Desce o Arraial dos Palmares
Que agora habita nos morros de tua periferia,
Desempregados e loucos (já escuto seus gritos roucos!),
Os quilombolas modernos,
Zumbis saídos dos mangues ― sem-terras vindos do inferno
Virão ceifar-te com sangue,
Armados até os dentes: enxadas e picaretas,
Peixeiras e canivetes
Foice e martelo...marrêtas.
Saquearão teus mercados, teus bancos, tuas mansões,
Farão trincheiras em teus templos, alucinados de fé
E enlouquecidos de fome derribarão teus quartéis.
..................................................
Um Condor gritou nas praças.
É tempo de ouvir sua voz:
Se calas a voz do povo...
―POETAS, GRITEM POR NÓS!
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Eurico(poema-vaticínio de 1988,
1º Lugar em Concurso Literário da Faculdade de Filosofia do Recife)
Fonte do texto:
O meu, ainda inédito, livro Ser/tão profundo - Mangue interior.
Fonte da imagem:
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domingo, agosto 16, 2009
SER/TÃO PROFUNDO (reedição de poema)
A Euclydes da Cunha
Deve habitar em mim, inserta,
uma geografia euclydeana: sylva horrida.
Insolações recrestando capoeiras, dias imóveis,
uma geografia euclydeana: sylva horrida.
Insolações recrestando capoeiras, dias imóveis,
cactos brasis, e a erosão eólia da planície;
Um sertão que me perpassa, paragem desolada,
pélago extinto e sem água...
Uma estrada poenta e causticante.
Caatingas estonadas e a secura extrema dos ares.
Não há lu(g)ar, pungente ou não, como esse de meu ser,
Um sertão que me perpassa, paragem desolada,
pélago extinto e sem água...
Uma estrada poenta e causticante.
Caatingas estonadas e a secura extrema dos ares.
Não há lu(g)ar, pungente ou não, como esse de meu ser,
tão raro lume,
arquivado num olhar imaginário...
Alimária quase extinta, ruminando por monótono horizonte,
deambulo, vulto arcaico,
deambulo, vulto arcaico,
pelas dunas de um pérpetuo mar lunário...
Minh’alma roça a flora estiolada e as areias exsicadas do deserto.
(répteis, sutis, escondem-se nos desvãos das pedras...)
A cidade mais próxima fica a léguas de mim
e em vão procuro um juazeiro, em cuja sombra me proteja Deus
dessa flor única e intensamente rubra,
que cauteriza o céu com suas pét’las de (ultra)violeta incendiária.
Eu também saio de mim à mesma hora
a cumprir órbitas automáticas e iguais,
em meio à solidão sem língua ou nexo.
Caminho sem gibão e sem certeza
Minh’alma roça a flora estiolada e as areias exsicadas do deserto.
(répteis, sutis, escondem-se nos desvãos das pedras...)
A cidade mais próxima fica a léguas de mim
e em vão procuro um juazeiro, em cuja sombra me proteja Deus
dessa flor única e intensamente rubra,
que cauteriza o céu com suas pét’las de (ultra)violeta incendiária.
Eu também saio de mim à mesma hora
a cumprir órbitas automáticas e iguais,
em meio à solidão sem língua ou nexo.
Caminho sem gibão e sem certeza
se é a vida essa vereda, solamente
um sertão n’alma nômade, silente,
retirada de sítios ancestrais.
Ereto na planura alvinitente
revelando a solitária flor,
Sou um mandacaru despido que resiste.
Ser tão profundo.
Endógeno sertão.
Essa impossibilidade de alçar vôo.
Casulo ôco e imponderável de mariposa natimorta.
Em qualquer parte de mim dardejam rádios espinescentes
e há a mesma aridez dos areais,
Ereto na planura alvinitente
revelando a solitária flor,
Sou um mandacaru despido que resiste.
Ser tão profundo.
Endógeno sertão.
Essa impossibilidade de alçar vôo.
Casulo ôco e imponderável de mariposa natimorta.
Em qualquer parte de mim dardejam rádios espinescentes
e há a mesma aridez dos areais,
charcos ressecos, leitos de rios evaporados...
Léxicos de sequidão também euclydeanos.
Eu mesmo um ser tão só... verbo desidratado,
galhada sem folhas de planta esturricada,
(in)maginando um sertão que não se vê...
Eurico
Recife, 14.03.06,
Dia da Poesia)
Léxicos de sequidão também euclydeanos.
Eu mesmo um ser tão só... verbo desidratado,
galhada sem folhas de planta esturricada,
(in)maginando um sertão que não se vê...
Eurico
Recife, 14.03.06,
Dia da Poesia)
Meu Cristo Gótico (homenagem a Euclydes da Cunha)

“Brotará como raiz da terra sedenta;
não há n’Ele bom parecer, nem formosura;
desprezado e o último dos homens;
varão de dores, experimentado em quebrantos”.
...................................................(Isaías, 53:2-3)
E se em vez de um fraco ser, senil e esclerótico,
no limiar entre lunático e neurótico,
fosse um Elias, a ressurgir nos trópicos?
Seria apenas isso que se diz: um beato sertanejo, um místico ?
ou um Dom Quixote do sertão, um épico?
Um infeliz Quasímodo matuto, cômico e simiesco?
Ou um Judas redivivo, em purgatório, escorraçado e dantesco?
Mas, quando o contemplava, estendido nessa foto euclydeana,
Lembrou-me um santo, macerado e só:
um Cristo gótico,
Que o Estado homicida trouxe a óbito,
mas que ressurgirá dentro do mito.
Está escrito.
De Dom Sebastião já oiço o grito...
***
(a foto que inspirou o poema foi feita in loco, por Euclydes da Cunha;
o cadáver é do beato Antonio Conselheiro)
Eurico
2008
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Para não perder a oportunidade de falar de amor fraternal,
nessa triste data em que, há exatos 100 anos, sepultamos o escritor Euclydes da Cunha, ele que sonhava com a fraternidade universal, através das idéias do Positivismo, leiamos um fragmento que colhi no google:
Amor, ordem, progresso
"(...)As duas palavras de nossa bandeira, ‘ordem’ e ‘progresso’, são de inspiração positivista. Mas, à semelhança do lema dos inconfidentes, ainda presente nas bandeiras de Minas Gerais e do Acre, não são uma citação fiel ao original.
Com efeito, Augusto Comte resumiu sua doutrina de modo diferente na primeira edição de seu Catecismo positivista: ‘O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim’. As três palavras, fundamentos de seu sistema filosófico, foram escritas com iniciais maiúsculas.
Mais tarde, o autor deu nova redação ao lema, que ficou assim: ‘O Amor por princípio, e a Ordem por base; o Progresso por fim’.
Hoje lembramos que a omissão do amor no lema inscrito na Bandeira Nacional é sintoma de desordem e atraso. Quem leu Os sertões, de Euclydes da Cunha, sabe que os republicanos não o excluíram apenas da bandeira. A violência segue vitoriosa. Em Canudos alcançou seu apogeu.(...)"
Fonte do texto:
Deonísio da Silva
copyright Jornal do Brasil, 2/08/04
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Pode ser algo de pouca monta, mas o Euclydes, assinava com "y", como se lê na imagem abaixo, e, creio, não se deve mudar o nome desse genial escritor:

Fonte da assinatura:
http://www.releituras.com/edacunha_bio.asp
segunda-feira, março 16, 2009
Mandacaru em flor

Olhai para as flores do campo ...
Mt 6:28
Das rotinas profundas
de seiva e de caules,
repetindo gestos,
pacientemente,
careço entender...
Que os momentos são copas do tempo.
Que a corola da flor é o momento presente.
Vem da erva que brota do chão,
da semente,
todo esse vigor.
Vem da alma da terra,
essa mente,
essa e/terna/mente.
Vem do viço da terra,
da hera, das eras,
do trabalho incessante
do tempo em aquíferos fundos,
profundos abismos
e grotas da terra exsicada...
repetindo gestos,
pacientemente,
careço entender...
Que os momentos são copas do tempo.
Que a corola da flor é o momento presente.
Vem da erva que brota do chão,
da semente,
todo esse vigor.
Vem da alma da terra,
essa mente,
essa e/terna/mente.
Vem do viço da terra,
da hera, das eras,
do trabalho incessante
do tempo em aquíferos fundos,
profundos abismos
e grotas da terra exsicada...
*
Ó, Flor da Água e do Tempo,
me ensina a esperar!
***
Eurico
poema sem data
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