Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

domingo, agosto 16, 2009

Meu Cristo Gótico (homenagem a Euclydes da Cunha)













“Brotará como raiz da terra sedenta;
não há n’Ele bom parecer, nem formosura;
desprezado e o último dos homens;
varão de dores, experimentado em quebrantos”.
...................................................(Isaías, 53:2-3)




E se em vez de um fraco ser, senil e esclerótico,
no limiar entre lunático e neurótico,
fosse um Elias, a ressurgir nos trópicos?
Seria apenas isso que se diz: um beato sertanejo, um místico ?
ou um Dom Quixote do sertão, um épico?
Um infeliz Quasímodo matuto, cômico e simiesco?
Ou um Judas redivivo, em purgatório, escorraçado e dantesco?

Mas, quando o contemplava, estendido nessa foto euclydeana,
Lembrou-me um santo, macerado e só:

um Cristo gótico,
Que o Estado homicida trouxe a óbito,
mas que ressurgirá dentro do mito.
Está escrito.
De Dom Sebastião já oiço o grito...


***




(a foto que inspirou o poema foi feita in loco, por Euclydes da Cunha;

o cadáver é do beato Antonio Conselheiro)



Eurico

2008


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Para não perder a oportunidade de falar de amor fraternal,
nessa triste data em que, há exatos 100 anos, sepultamos o escritor Euclydes da Cunha, ele que sonhava com a fraternidade universal, através das idéias do Positivismo, leiamos um fragmento que colhi no google:



Amor, ordem, progresso



"(...)As duas palavras de nossa bandeira, ‘ordem’ e ‘progresso’, são de inspiração positivista. Mas, à semelhança do lema dos inconfidentes, ainda presente nas bandeiras de Minas Gerais e do Acre, não são uma citação fiel ao original.
Com efeito, Augusto Comte resumiu sua doutrina de modo diferente na primeira edição de seu Catecismo positivista: ‘O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim’. As três palavras, fundamentos de seu sistema filosófico, foram escritas com iniciais maiúsculas.
Mais tarde, o autor deu nova redação ao lema, que ficou assim: ‘O Amor por princípio, e a Ordem por base; o Progresso por fim’.

Hoje lembramos que a omissão do amor no lema inscrito na Bandeira Nacional é sintoma de desordem e atraso. Quem leu Os sertões, de Euclydes da Cunha, sabe que os republicanos não o excluíram apenas da bandeira. A violência segue vitoriosa. Em Canudos alcançou seu apogeu.(...)"




Fonte do texto:


Deonísio da Silva

copyright Jornal do Brasil, 2/08/04




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Pode ser algo de pouca monta, mas o Euclydes, assinava com "y", como se lê na imagem abaixo, e, creio, não se deve mudar o nome desse genial escritor:



Fonte da assinatura:
http://www.releituras.com/edacunha_bio.asp
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