Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

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segunda-feira, abril 13, 2009

Pedido, de certo modo inocente, aos Homens de Boa Vontade



























Hoje andei procurando por você.
Sim, você mesmo!

Você
que é incapaz de engaiolar um passarinho
e de escorraçar um cão.

Você
que devolve o excedente do troco
ao caixa do mercado.

Você
que quando leva uma topada,
olha pros lados antes de dizer o palavrão.

Você
que não disputa uma bola dividida deslealmente.
Que aplaude o time adversário, quando faz um bom jogo.

Você
que trata a todos com cortesia
mesmo quando o trânsito está totalmente engarrafado.

Você que não discute religião.
Que prefere orar em oculto pra não ferir suscetibilidades
e que não deixa a mão esquerda saber da esmola dada pela direita.

Você que se emociona com tudo:
Um por do sol, um recém-nascido,
Uma canção de amor.

Você
que seria incapaz de molestar uma criança.
De abandonar um filho.
De trair o primeiro amor.

Hoje andei procurando
com meu controle remoto
e não encontrei você.

Hoje folheei jornais,
(há muito que não o fazia)
E, infelizmente, não achei você.

Prezado Senhor Homem de Boa vontade,
cumpra o mandamento divino:
Cresça e multiplique-se!
Domine a densidade demográfica!
Invada o mass media!
Tome de assalto os noticiários
E as capas de revista!

A paz na Terra necessita, urgentemente,
de que você se torne uma multidão inumerável.

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Eurico

"quem não se tornar como um desses pequeninos
não verá o Meu reino..."
.................................Jesus (in: algum dos evangelhos)

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sexta-feira, fevereiro 13, 2009

O Povoado dos Moinhos - Akira Kurosawa



















Diálogo entre o ancião e o viajante


Diálogo reproduzido do último conto do filme "SONHOS" de AKIRA KUROSAWA (Akira Kurosawa’s Dreams), denominado O POVOADO DOS MOINHOS ( Village of the Watermills).
Este trecho do filme traz uma mensagem aos seres humanos de todo o planeta.
Um velho sábio fala ao moço da cidade grande sobre as coisas que considera as mais importantes na vida de uma pessoa: a água e o ar puro.

De que adianta tanto conforto proporcionado pelas invenções da modernidade, se não há mais paz e se as pessoas esqueceram que preservar a natureza é fundamental? O filme termina com uma lição: um cortejo festivo para celebrar a morte de uma senhora de 99 anos – afinal, nada mais justo do que se despedir de uma pessoa que viveu muito bem e de forma completa com dança e música.


Viajante – Qual o nome deste povoado?
Ancião – Não tem. Só chamamos de “O Povoado”. Alguns chamam de Povoado do Moinho.
Viajante – Todos os habitantes moram aqui?
Ancião – Não. Moram em outros lugares.
Viajante – Não há eletricidade aqui?
Ancião – Não precisamos. As pessoas acostumam-se ao conforto. Acham que o conforto é melhor. Rejeitam o que é realmente bom.
Viajante – Mas, e as luzes?
Ancião – Temos velas e óleo de linhaça.
Viajante – Mas a noite é tão escura.
Ancião – É. Assim é a noite. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não ia querer noites claras, que não deixassem ver estrelas.
Viajante – O senhor tem arrozais. Mas não tem tratores para cultivá-los?
Ancião – Não precisamos. Temos vacas, temos cavalos.
Viajante – O que usa como combustível?
Ancião – Lenha, na maioria das vezes. Não achamos direito cortar árvores, e muitos galhos caem sozinhos. Cortamos e usamos como lenha. E para carvão de madeira, poucas árvores aquecem tanto quanto uma floresta. Também estrume de vaca dá bom combustível. Gostamos de viver respeitando a natureza. As pessoas, hoje, esqueceram que são apenas parte da natureza. Mas destroem a natureza da qual dependem nossas vidas. Elas sempre acham que podem fazer melhor. Especialmente os cientistas. Podem ser inteligentes, mas não compreendem o verdadeiro significado da natureza. Só inventam coisas que tornam as pessoas infelizes. Mas têm tanto orgulho das invenções deles. Pior é que muita gente também se orgulha. Encaram-nas como milagres. Idolatram-nas. Não percebem, mas estão perdendo a natureza. E, como conseqüência, vão morrer. As coisas mais importantes para o ser humano são ar puro e água limpa, as árvores e grama que os produzem. Tudo está sendo poluído, e perdido para sempre. Ar sujo, água suja, sujando os corações dos homens.
Viajante – Vindo para cá, vi algumas crianças colocando flores em uma pedra ao lado da ponte. Por quê?
Ancião – Ah, isso. Meu pai me contou uma vez. Há muito tempo, acharam um viajante morto, perto da ponte. Os aldeões ficaram com pena e o enterraram lá. Colocaram uma pedra na tumba dele e puseram flores. Tornou-se um costume colocar flores lá. Não só as crianças. Todos os aldeões colocam flores quando passam, embora a maioria não saiba por quê.
Viajante – Há um festival hoje? (ouvindo uma festividade aproximando-se).
Ancião – Não, é um funeral. Acha estranho? Um funeral é sempre agradável. Viver bem, trabalhar bem e morrer com agradecimentos é louvável. Não temos templos nem sacerdotes aqui. Assim, os próprios aldeões levam os mortos até o cemitério da colina. Mas não gostamos quando jovens e crianças morrem. É difícil comemorar tal perda. Mas, felizmente, as pessoas deste povoado levam uma vida natural. Então, morrem de acordo com a idade. A anciã que vai ser enterrada viveu gloriosamente os 99 anos. Agora, vou unir-me ao cortejo. Com licença. Na verdade, ela foi o meu primeiro amor. Mas ela partiu meu coração e me trocou por outro. Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!
Viajante – A propósito, quantos anos tem?
Ancião – Eu? Cem... mais três. Boa idade para parar de viver. Uns dizem que a vida é sofrimento. Isso é bobagem. Sinceramente, é bom estar vivo. É emocionante.

(O ancião dirige-se à estrada, seguido pelo viajante, para juntar-se ao cortejo festivo. Cumprimenta cordialmente o viajante e une-se aos outros aldeões em festa. O viajante assiste admirado o cortejo passar e, antes de retirar-se da aldeia, deposita flores na pedra do túmulo do viajante morto. A paisagem é indescritivelmente bela... E os moinhos, girando no ritmo da correnteza do rio, expressam o ritmo da vida).

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Fonte do texto e da imagem:


http://www.caminhosdeluz.org

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Assista no youtube:

O Povoado dos Moinhos



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(Ah, os grifos são meus. rs)

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domingo, janeiro 25, 2009

Olhando pro futuro...

















Daqui, desse recanto protegido
dos raios solares pela sombra amiga
de nossas irmãs árvores...
quero te mostrar o futuro, Alana...


Olha, minha menina, essa claridade esverdeada
é o teu futuro!
Eu te prometo lutar,
não sei com que armas não-violentas,
sinceramente, não sei...
mas te prometo lutar para que esse planeta
em que viverás daqui a 50 anos ou mais,
(quando terás a minha idade)
seja pleno de paz, de justiça,
além desse indispensável ar puro.
Segure na mão desse homem de meia idade, frágil e desarmado,
que te promete lutar,
mesmo que em vão, lutar,
para que possas viver num planeta,
não apenas verde,
mas harmonioso e belo.

Eurico
25jan2009





Poupem as crianças...





















Que sobre as crianças do mundo
os adultos não lancem mísseis,
tele/guiados por suas crenças ridículas,
estúpidas...


Que se matem entre si, os terroristas sem Estado
e os terroristas de Estado.
Matem-se, ora essa!
Mas poupem as escolas, os parques, as florestas...
Poupem as indefesas crianças, os animais...

Não precisam abdicar de sua insana guerra.
Não. Podem morrer e matar
até não sobrar nenhum pra reivindicar a terra.
Mas deixem em paz as crianças,
sejam judias, palestinas, vietnamitas, afegãs.


Não joguem bombas sobre suas bonecas e bicicletas,
sobre a sua lúdica inocência.

Matem-se entre si, senhores, defendendo cada um sua cova rasa
e seu fundamentalismo sagrado e antivital.
Mas não arrastem pra essa loucura,
as pequeninas vidas que perecem sem causa.


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Imagens:
O poeta-tio-coruja com a sobrinha Allana, durante passeio no Horto-florestal Dois Irmãos,
Recife - PE. Que farra!!!





sexta-feira, janeiro 23, 2009

Ensaio com Naná Vasconcelos e algumas reflexões pueris...


















Ontem, crianças riam sobre o tablado armado no meio da rua humilde. Imitavam, com pequenos pedaços de pau, as baquetas do grande percussionista que ali se apresentara. Eu vi os olhos das crianças do maracatu, brilhando de felicidade.

Por falar em crianças com alegria e paz... não pude deixar de lembrar, mesmo em meio à festa de ontem,
dos olhos desesperados da menina vietnamita,
das milhares de pequeninas rosas mortas em Hiroshima...
dos pequeninos judeus dizimados nos campos de concentração nazistas.
Essas não tiveram a chance de brincar...

Por essas que morreram no passado é que lamento a insanidade em Gaza.

Não se perseguem terroristas, atirando em civis indefesos, ó Deus! O mesmo nacionalismo racista do hitlerismo, esconde-se nas desculpas esfarrapadas de Tel-aviv. Mata-se por matar, na Faixa de Gaza. Crueldade não tem pátria, nem cor, nem raça!

Até quando o Estado de Israel ignorará os mandamentos da lei mosaica?
Como direi que amo a Deus, se abomino o meu próprio irmão?
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sábado, janeiro 17, 2009

Caim redivivo






















Falar de Gaza com os olhos úmidos de incertezas.
Quem tem razão?

Falar de Gaza é olhar bem fundo nossas vilezas.
Por que razão?

Falar de Gaza é ter à mesa o apocalipse em vez de pão.
Não há razão.

Irracional é todo ódio que mata o irmão.


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quarta-feira, janeiro 07, 2009

Por uma cultura de paz!

Não acumulem mais ódios. A espiral da violência, ensinava Dom Hélder Câmara, é interminável. Só os gestos e iniciativas de reconciliação e paz podem interrompê-la.
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Pelas crianças, pela população civil, pelos velhos, pelas grávidas e pelos enfermos,
pedimos o imediato cessar-fogo bilateral em Gaza!

segunda-feira, novembro 19, 2007

PACIFISMO TUPINIQUIM



Há uma inteligência, tão pedante quanto autodestrutiva, que insiste em poluir a água e o ar do planeta Terra, em nome do crescimento industrial. Em nome dessa mesma ideologia do progresso suicida, destroem as florestas, eliminam a fauna e a flora, e, para poder continuar nutrindo a avidez de riqueza e poder, atacam os países que possuem jazidas de combustível fóssil, contrariando as recomendações da ONU, e dos países mais sensatos.

Justificando-se nessa falaciosa e maligna assertiva, tem aparecido na TV, e, em horário nobre, pago às expensas dos cidadãos brasileiros, um político, de caráter duvidoso, mas reverenciado como bom orador, a defender certas posições demagógicas e cínicas . Seria um novo sofista?.

Pois bem: argumenta o famoso orador, que o Brasil, para defender suas necessidades industriais e de consumo, deveria ter ido à guerra com os bolivianos. Chega a usar o exemplo da dupla Bush/Blair, que invadiu o Iraque, para “defender” as jazidas de petróleo, interesse vital dos seus povos na região.
A postura não beligerante do Lula é questionada, pelos sofismas desse abominável político.
E é contra essa argumentação neofascista, que quero realmente me posicionar. Pois, seguindo esse raciocínio "tão perfeito", esse mesmo argumento poderá ser usado contra nós, se, por exemplo, a Amazônia for encarada como algo vital ao First World. E por que não?
Além disso, acabamos de descobrir uma imensa jazida de petróleo no oceano, que pode ser, seguindo a falaciosa peroração daquele nefasto político, um pretexto para um ataque dos belicosos saxões do norte do hemisfério, .
Pois bem:
Todo dia, nós pregamos a paz. Fazemos passeatas, missas, cultos, e outras manifestações pela paz no nosso país e no planeta. Mas foi o Lula, o não-letrado Lula, quem nos deu um exemplo prático e raríssimo, de como um país poderoso em seu continente pode resolver uma ação intempestiva e imatura, como foi a dos cocaleros, nossos vizinhos, com a necessária sabedoria, evitando uma guerra que arrastaria todo o continente, e, quem sabe, todo o mundo, atraindo, para o nosso território, os olhos da máquina de guerra do Xerife do Mundo, o Sr. Bush Filho.
Saber conviver com os povos vizinhos, em paz e harmonia, usando a diplomacia antes, e a pressão econômica, depois, e só se for necessária, será o exemplo de tolerância que o Brasil dará, nesse início de milênio, aos avoengos e ranzinzas europeus e seus belicosos seguidores ianques.

Há muito tempo, espero que se cumpra a profecia do Chico Xavier, de que o Brasil será o “coração do mundo e a pátria do evangelho”. A fé, às vezes, se enfraquece em meu duvidoso e pragmático espírito. Mas esse gesto do mítico Lula, do nordestinado filho da lavadeira, que quase morre afogado em um açude paulista, sem o socorro do próprio genitor; o altruísmo geopolítico do torneiro sem um dedo na mão, e agora alçado a primeiro mandatário do maior país da América Latina; enfim, esse gesto de boa vontade e não violência do Lula me reanima a esperança. Quem sabe um novo milênio de intenções pacifistas e de preservação do planeta esteja sendo esboçado aqui, com nosso jeitinho tupiniquim.

Viva Deus! Pequeno sou eu! Alah hu acbar! Shalom! Axé! Paz e fraternidade!!!

Eurico
19.11.07

Pratique a cortesia no trânsito. A paz começa nas pequenas atitudes.

P. S. : cuidado com os belicosos sofismas do R. Jefferson, pois quem, afinal de contas, irá à frente de batalha, matar e morrer pelas suas idéias fascistas, serão nossos filhos e netos, e não ele et caterva.

sábado, setembro 09, 2006

Às crianças do Líbano (in memorian)



Não há uma voz sequer que se alevante
contra a infâmia e a covardia
Vendo o Israel de Deus a cometer
um frio genocídio à luz do dia?
Não cobrem o rosto de vergonha,
ao praticar seus crimes. Descarados,
Atiram os seus mísseis
sobre infantes desarmados.
Ah, cedros do Líbano,
até quando havemos de assistir
A morte de inocentes
Que, indefesos, ao cair
Sob o impacto das bombas
neonazistas de Sião,
Erguem os olhos a Deus,
(se há um Deus na imensidão:
Se Alah, Javé, Jesus, qualquer que seja
o Deus, de Sarah ou de Hagar)
olhos puros de cordeiros,
os corpos, postos no altar,
expostos em holocausto,
as crianças do Líbano,
vítimas desse grande Mal,
volvem os seus olhinhos
pra esse Deus Imparcial,
e imploram por Justiça,
se, em verdade, há um Juiz Final,
que aos vivos e os mortos,
em seu trono há de julgar,
quando, então, essa Justiça chegará?

Eurico, agosto 2006
(mais um clamor do que um poema)