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| (um experimento dziga-vertoviano) |
Uma baiteira passa,
Vagarosamente,
rente às palafitas.
Zoom:
(Patas longas, desajeitados,
os caranguejos engalfinham-se,
disputando um exíguo espaço;
A água suja desce pelas
tramas do cesto e lhe escorre
pelas sobrancelhas..., nariz..., boca...
Em slow motion, pela blusa,
onde balança belo o busto volumoso,
escorre a água e o suor...)
Zoom:
(Mão calosa, unhas cheias de lama,
aperta a franzina mão, sem pena, da menina...)
Fogem da nossa vista
como xiés assustados.
Zoom:
(Pernas finas, pequenina,
a menina franzina anda,
salta, corre, cai-não-cai,
pelas tramas do texto,
tentando seguir as passadas da mãe...)
Uma viela as encobre.
Entocam-se.
Olhos curiosos,
Dos mocambos,
espreitam pelas frestas das paredes de tábua e zinco.
(poema-escorço, pinçado das muitas experiências hipertextuais do Bóstrix n'água,
cujo título tomei emprestado ao capítulo Ôiazul)
Fonte da imagem:
Marisqueira





