
E a velha floresta cuja férvida seiva
se enriquece expandindo-se em
descuidadas ondas
esbeltas palmeiras cujos frutos se agitam
nos céus,
tamarindos, papoulas, fetos
gigantescos...
o pau-rosa e a manga que enchem o ar
com um fausto de sombra e de perfume,
árvore de ferro
e as que são pródigas de doces frutos,
carnes e pão, e as que se oferecem
por si,
muros e telhados de casas, altivas naves
e tálamos
tornam a vida um sonho belo, abolidos
o trabalho e a fome, a miséria e a inveja.
A Floresta, inteira ao cabo da vida
imensa,
morte perpétua, renascença sem fim.
(prosa poética de Paul Gauguin - apud F. Brennand*)
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*Não é à toa que o Francisco Brennand intitulou o livro de onde extraí o quase-poema acima, como Diálogos do Paraíso Perdido.
Estamos “perdendo” o planeta Terra, como vaticina o milenar relato bíblico do Éden?
Ainda há tempo de mudar a nossa civilização?