Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

terça-feira, junho 30, 2009

O UNICÓRNIO (uma poética da alusão)





















Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói;
se um velho amadurecido ou um jovem impetuoso na flor da idade;
se uma matrona autoritária ou uma ama delicada;
se um mercador errante ou um lavrador de pequeno campo fértil;
se um colco ou um assírio;
se um homem educado em Tebas ou em Argos.
................................................................HORÁCIO, Ars Poetica.


No princípio era um germe, mas o germe fez-se Ursprache...

E o Unicórnio vos espreita nessas páginas
Que escondem a clave do ignoto:

Destroços submersos
Dialética das léguas submarinhas
Luzes de um tambor primordial.

O Unicórnio roça as costas nas palavras
Larvas
Lavas
Lavras
E anuncia o segredo,
O sagrado segredo das línguas
:
Hlör u fang axaxaxas mlö

Or
:
Upa trás perfluyue lunó.

Ora, argumentaríeis,
Não há Unicórnios
no mundo real.

Logo, eu aduziria:
No entanto,
Sua clina tilinta aliterante,
Salta
Silva
Soletra a ventania nas narinas
Roça o dorso prateado nas colunas
Que sustentam as verdades compossíveis,
Relincha entre as camadas geológicas
Da memória volátil desses étimos.
Suas palavras larvas lavas lavras ruflam asas,
Quais páginas viradas levemente.

O Unicórnio roça as costas invisíveis
Nos umbrais do cinema transcendente
...


Eurico
(metapoema lúdico, que alude à abdução, ou introvisão,
inferidas, transversalmente, das idéias de Charles Sanders Peirce. rsrs)



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