Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

domingo, junho 21, 2009

Duplo Etéreo (relato de EQM)





Na estrada velha de Aldeia,
longa e sinuosa estrada,
soprava o vento em meu rosto
em alta velocidade.
Na velha estrada eu fugia
Do que há de mim na cidade.

Essa aflição de homem urbano
nessa polis saturada:
Angor;
Náusea;
Arritmia.
Medo de tudo e de nada.

De repente,
na tangente
De uma curva acentuada
Saí de mim
E da rota
Segura da velha estrada...

Lembro que vi bambuzais.
E uma luz triangular.
Duplo etéreo?
Fogo-fátuo?
Perdida a noção de espaço
às margens da velha estrada.
Fiquei ouvindo zumbidos
de auto-rádio, ruídos,
sons de maracás e guizos
feito sons de pajelança,
no acostamento da estrada.

Na velha estrada de Aldeia,
sinuosa e velha estrada,
Por um instante eu fui veículo
Da plenitude do Nada.




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