Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

domingo, agosto 14, 2011

ÔIAZUL (poema-escorço)


(um experimento dziga-vertoviano)

 
























Uma baiteira passa,
Vagarosamente,
rente às palafitas
.

Zoom:
(Patas longas, desajeitados,
os caranguejos engalfinham-se,
disputando um exíguo espaço;
A água suja desce pelas
tramas do cesto e lhe escorre
pelas sobrancelhas..., nariz..., boca...
Em slow motion, pela blusa,
onde balança belo o busto volumoso,
escorre a água e o suor...)


Zoom:
(Mão calosa, unhas cheias de lama,
aperta a franzina mão, sem pena, da menina...)


Fogem da nossa vista
como xiés assustados
.

Zoom:
(Pernas finas, pequenina,
a menina franzina anda,
salta, corre, cai-não-cai,
pelas tramas do texto,
tentando seguir as passadas da mãe...)


Uma viela as encobre.
Entocam-se.


Olhos curiosos,
Dos mocambos,
espreitam pelas frestas das paredes de tábua e zinco.





(poema-escorço, pinçado das muitas experiências hipertextuais do  Bóstrix n'água,
cujo título tomei emprestado ao capítulo  Ôiazul)



Fonte da imagem:
Marisqueira
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