Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

segunda-feira, agosto 08, 2011

PELEJA


























A Carlos Pena Filho



Acender uma fogueira
Sobre os destroços da fúria:
Dizer o dom mais terrível
No tom da mais vil ternura.
Por monossílabos vastos
Cantar o avêsso, a feiúra.

Atravessar a existência,
Esse fado, essa caatinga,
Com a Língua ressecada
E o estio dentro da fala.

Domar a Onça suasssuna
Da Vida graciliana,
Inda que o peito lanhado
Pela palavra, cardeiro;
Pela palavra, essa morte.

Aboiar angustiado,
Rumor de vozes queimando:
Viver é ser renitente,
Acender uma fogueira
Sobre os destroços, os destroços,
(...ai, que légua tão tirana...)
sobre os destroços da fúria.




Eurico
3º Lugar no Salão Pernambucano de Poesia –  1994



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Fonte da imagem:
http://www.ecodebate.com.br/2009/06/18/desertificacao-ameaca-pelo-menos-cem-paises/

Incelença pra terra que o sol matou
Elomar, Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Heraldo do Monte



Bastidores da Peleja aqui


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