Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

terça-feira, dezembro 09, 2008

Rua do Futuro (uma velha canção)




























Era um sítio bem sombrio,
jogado no fim da rua.
(em que vi, ainda menino,
uma moça toda nua).

Tinha um velho cajueiro,
uma mangueira frondosa,
um jasmineiro cheiroso.


Tinha um poço com roldana
como a de um livro famoso.

***

Ouçam!
Ouçam!
Pssiu!
São pássaros!
Muitos pássaros!
Os pássaros ruidosos de eu-menino...


***

Hoje, passando de carro,
pela Rua do Futuro,
vi uma enorme geringonça,
uma araponga medonha,
que em repetidas pancadas,
fincava na minha alma

essas agudas estacas.


E os engenheiros, suados,
com seus elmos na cabeça,
nem me ouviram, ocupados
em fazer que o monstro cresça:


Ouçam!
Ouçam!
São crianças!
Cantam livres sobre os muros...
Serão aves ruidosas
nos pomares do Futuro?

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1) Para a amiga Paulinha Barros:
estou em busca do dizer singelo...

2) Dedico, também, a Ligia, catequista,
cujo niver, ontem, estava cheio de avezinhas ruidosas
e felizes.

3) Seriam os ecos do milharal do Dauri? rs


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