Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Pausa para uma introspecção...




















O Homem Velho
(Caetano Veloso)


O homem velho deixa a vida e morte para trás

Cabeça a prumo segue rumo e nunca, nunca mais

O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais

O homem velho é o rei dos animais

A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol

As linhas do destino nas mãos a mão apagou

Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock'n'roll

As coisas migram e ele serve de farol

A carne, a arte arde, a tarde cai

No abismo das esquinas

A brisa leve traz o olor fugaz

Do sexo das meninas

Luz fria, seus cabelos têm tristeza de neon

Belezas, dores e alegrias passam sem um som

Eu vejo o homem velho rindo numa curva do caminho de Hebron

E ao seu olhar tudo que é cor muda de tom

Os filhos, filmes, livros, ditos como um vendaval

Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal

Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual

Já tem coragem de saber que é imortal








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(depois de ler e ficar horas ruminando

sobre o post Ondas Douradas, no Florescer, de julho/2008,

tive que vir pra cá, pro meu recanto,

lamber minhas próprias feridas e ouvir Caetano...)

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Fonte da imagem:

Poeta Pablo Neruda

http://galizacig.com/imxact/2006/03/pablo_neruda.jpg

Para ouvir Caetano, clique abaixo e depois minimize o wmplayer:

http://www.mp3tube.net/br/musics/Caetano-Veloso-O-Homem-Velho/48043/

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