Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quinta-feira, março 10, 2011

Manifesto Lírico


















"Estou farto(...) de todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
(...) Não quero saber do lirismo que não é libertação."

(fragmentos de Poética, de Manuel Bandeira
)





Fora do lirismo não há libertação!
Urge, pois, uma civilização da ternura
em que crianças ainda possam nadar em água potável e pura.

Não estou a rimar, mera poética.
Urge, e é vital, uma civilização fra/terna e ética!

Tanatos, fascinante, invade a grande mídia
e um mundo em combustão põe risco à vida.
Resta-nos a lírica subversão.

Creiam-me, é essa inútil poesia,
essa, esquecida nas livrarias,
que é portadora da libertação.

Odes ao amor,
hinos à empatia,
cânticos à mais utópica utopia.
Só há subversão pelo lirismo.

Ouvidos moucos aos outros ismos:
Que solução nos trouxe o niilismo?

Lirismo, sim, mesmo que comedido.
Todo lirismo, inclusos os políticos:
lirismo dos que sonham com fraternos armistícios,
com um desarmamento, amplo, geral e irrestrito.

Lirismo pacifista e ecológico;
lirismo ingênuo e inútil, eis a subversão!

Na gentileza,
na cortesia,
no desapego, noblesse oblige,
em gestos mínimos,
do mais cotidiano heroísmo.

Não estou a rimar, mera poética.
Urge, e é vital, uma civilização fra/terna e ética!



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