Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quarta-feira, abril 15, 2009

O Elefante (uma análise eudemonológica)
























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a Arthur Schopenhauer




Poeta jovem e volúvel:
assemelhava-se
a uma pêndula,
inconstante entre quereres,
a oscilar entre um desejo e outro,
feito menino na feira,
ante o colorido das frutas maduras.
Restou uma, entre as mãos:
a fruta dos (des)caminhos.

Poeta adulto, porém perdido:
assemelhava-se a um geômetra enlouquecido,
tentando fazer da linha reta, a superfície,
a ziguezaguear pela vida.
Produzia, com pontinhos salteados e desconexos,
uma obra inconclusa,
e de um impreciso pontilhismo.

Poeta maduro, todavia indócil:
assemelha-se, enfim,
a um elefante capturado
que, por muitos dias, estrepita horrivelmente
até perceber inútil essa peleja
e, então, subitamente amansado,
ofertar a cerviz ao jugo,
domado para sempre pela Poesia.

Hoje, pesado e grave,
equilibra-se sobre poemas bissextos e baldados.
Está feliz
e faz afago aos circunstantes.

Já sabe que a vida é instável e circense

feito um frágil tamborete, sob a lona...



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