Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quinta-feira, setembro 30, 2010

Balões de Nada




Atentai hoje
na ars poetica da bolha breve
que escapa leve de um tubo fino
com que um menino sopra a ilusão
Balão brilhante soprado a esmo que nada afirma
além do brilho pois que em si mesmo a nada alude
diversamente das que de gude lidam em lúdica competição
Só brilham estes casulos ocos vazios nulos e entrementes desvãos desvios
vácuos inócuos comas hiatos bulbos de ar fruta gorada e vã lenição
mero à esquerda hora perdida tiques e lapsos sons tautológicos
versos autistas frases recurvas sem dicção
balões de nada coisa fadada à
d i s s o l u ç ã o.





Fonte da imagem:Abrigo de Ventos

18 comentários:

Anônimo disse...

Mas é bonita a bolha de sabão
ou é só mais uma ilusão?
Bjs.

Mai disse...

É amigo, é o mesmo assunto, e dessa mesmice eleitoral você fez poesia da melhor qualidade.

Este está um primor.
cheiros.

Eurico disse...

Amigas, Mai e Fátima
Arrisco-me a ficar nela, na bolha...rsrsrs

Mas é uma in/feliz coincidência esta da oratória redundante e vazia do "guia" eleitoral e do surgimento de meus poemas-bolha...kk
Mas quem não se contamina com esse ar deletério dos miasmas polítiqueiros?
Só com os balões de nada eu consigo me divertir nessa hora entediante do guia.

Fiquemos com a beleza da resposta das crianças, Fátima. A bolha é bonita e é boniya!

Abçs fraternos nas duas.

Jacinta Dantas disse...

E escuto sua poesia como uma sentença de que:
apesar do oco
apesar do vazio
apesar...

é preciso sonhar
é preciso sonhar
AINDA HÁ TEMPO PARA O SONHO

Eurico disse...

Sim, Jacinta,
se não nos tornarmos como uma criança,
se não mais esmagarmos os narizes nas vidraças,
se não nos ad-miramos do belo, do bom e do bem,
se não nos iluminarmos, apesar de toda a nuvem escura e passageira,
se não sonharmos...
não vale a pena a vida.
E podemos ter vida e vida em abundancia.


Abraço cordial.

Zélia Guardiano disse...

Versos lindamente escritos, amigo Eurico!
Sem contar a beleza da imagem, que ilustra de forma perfeita, tudo aquilo que dizes...
O conjunto, um encanto!
Abraço.

Celina disse...

Bom dia amigo Eurico, acheia bela o teu poema , cada vez mais admiro os poetas, a bolha é linda, cheia de ilusão, de sonhos, mais com um sopro mais forte se deisfaz, enquanto mais inocente formos mais a admiramos, e mais sofremos quando ela se vai.

Zeca disse...

Caro amigo Eurico!
Ainda não estou de volta! Utilizei apenas mais um espaço onde posso gritar minha indignação e mostrar às (pouquíssimas) pessoas que ainda me lêm, o que me corroi a alma neste momento em que o melhor seria sair, flutuando, leve e livre, dentro de uma bolha de sabão!
Aproveito para contar que ainda passo por aqui, vez em quando, silenciosamente como uma bolha de sabão, para alimentar minha alma com a incomensurável beleza dos teus versos. Nada digo, mas levo um pouco de encanto no coração!
Grande abraço, amigo.

carmen silvia presotto disse...

"Versos autistas, balões de nada...", muito bom quando a poesia nos denuncia o vazio, mas também nos preenche de novos sentimentos.

A imagem parece estalar junto ao poema.

Um beijo amigo, Eurico. Parabéns!

Anônimo disse...

Vou ficar com a visão de menina:
As crianças nem sabem, mas quando sopram bolhas assim, é um ensaio poético que experimentam...

Olho para o poema e vejo uma bolha cheia de tudo que não seja vazio, um instante pasmado no teu jardim.

Um beijo, poeta.

Anônimo disse...

"coisa fadada a dissolução", o verso que mais me fala e que me remete a transitoriedade da vida.

Gostei muito.

Eurico disse...

Bom é ter poetas por perto, Zélia, Carmen, Marcio, Katyuscia, Zeca, Celina...

Nem sei se são versos, essas linhas com signos em sequencia... (linossignos?)

Sim balões de ensaio poético, sem nenhuma preocupação com o método, com a forma, com a teoria... crianças não experimentam cientificamente rsrsrs

Metáfora da brevidade da vida?
Eu diria, brevidade da existência, vida sempre haverá... novas colméias e abelhas, novas palavras e línguas renovadas...

Grato, amigos.
Bom ter vcs perto.

Zecamigo,
cuide bem da bela Parati.
Ela é uma jóia da mãe-natureza.


Abçs fraternais.

Anônimo disse...

Silenciosamente... Sentindo e observando.
Como diria Manoel de barros:
Em estado de árvore.
Esperando a dissolução!

Lindo amigo!
Me fêz pensar em coisas de antes...

Forte abraço

Eurico disse...

Oh, amiga Raquel,
Obrigado.

Manoel é um céu mui alto pra mim...rsrsrs

Mas elogio de pessoa tão sensível e inteligente como vc, me envaidece. Não posso esconder isso.

E te mandar um abraço fraternissimo.

Brisa Nordeste disse...

É, meu caro poeta, tudo segue seu destino e até o nada tem o seu... Resta o grito, em bemol ou sustenido, de um poema, e é muito, por vezes, por isso...

Será para nós uma honra e um privilégio a tua presença no lançamento.

Agradecemos o teu desprendimento em divulgar nossos livros.

Um grande e afetuoso abraço!

Eurico disse...

Amigas do Brisa,
não por isso.
A amizade e as flores, se cultivam com atenção e afeto. As duas só nos trazem o bem.
Cultivar um jardim e as amizades é apenas uma estratégia para viver melhor.

Abraços fraternos.

Luis Eustáquio Soares disse...

salve, eurico, que a bolha flutua no rés-do-chão, no céu da terra, onde viver é uma alegria inominável quanto mais voamos na gravidade de existir juntos, conjuntos.
não sei como está pensando, politicamente falando, mas agora é hora de evitar a tragédia, o retorno do psdb à presidência, submissão aos estados unidos, às multinacionais; retorno à dependência ou morte.
de minha parte já começo a regaçar as mangas a favor de dilma rousseff.
saudações,
luis

Eurico disse...

Luis, amigo ecossocialista,
vou ter de votar na menos ruim, né?

Espero que a ida ao segundo turno a faça repensar a vida dela e de seu partido e ouça os movimentos, como o dos ecossocialistas, por exemplo.
Quero uma estratégia de atuação política que contemple aspectos daquele teu manisfesto, que republiquei no Cultura Solidária.

Num país plural como o nosso, num mundo plural, não se pode pensar que o PT é o dono da verdade. E de que verdade, né? São tantas...

Tua decisão me instiga a votar nela. Mas não arregaçarei as mangas, amigo.
Prefiro arregaçá-las pra exigir que o novo governo nos ouça. Que reveja as nossa matrizes energéticas, nossa reforma agrária, nossas concessões televisivas, e até mesmo a nossa alimentação, nossa merenda escolar, nossa maneira americanalhada de ver o mundo...
Isso tem de ser repensado.
Dilma é capaz disso?
Espero...

Antes de botar a foto dela aqui, quero ver como ela vai agir daqui pra frente.

Abraço fraterno e solidário.