Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

sexta-feira, setembro 10, 2010

O Gato de Schrödinger























Experimento mental:

1 imagine-se um gato com as quatro
patas jogadas ao alto
do alto de um prédio,
bem alto...

2 espera-se, da queda livre
que dos assustados átomos
do arrepiado bichano, decerto
saltem partículas, diga-se, fótons,
mas, o fato

3 é que do susto cai o gato com as quatro
patas ondulatórias, coitado,
no chão incerto de um pátio.


Conclusão quântica:

o gato pode (ou não)
estar vivo ou morto
ou então
semimorto
semivivo
ou morto e vivo, ao mesmo tempo,
pela superposição de eventos.
Essa é o paradoxo
da indeterminação.
Diz que o observador
é quem decide a questão
ao observar o gato
altera a situação.
Gato vivo/gato morto.
Qual é a tua opção?


Conclusão lírica:

Será a matéria feita da poesia mais singela?
Saltita entre onda e fótons,
e ninguém sabe o que é ela...
Ah, matéria mais esquisita!
(parece que é espiritista)
Ah, matéria mais bonita!
que tanta beleza, quanta:
quanto mais salta mais me espanta!
Como eu-lírico, observo,
e essa ciência me encanta.
Haverá algo mais lúdico
do que a física quântica?


Fonte da imagem:
Quadro de Norberto Conti

Sobre Schrödinger:
Experiência Quântica

Notícias sobre Poesia e Cibertexto:
Poesia Experimental

7 comentários:

Assis Freitas disse...

esse gato rendeu uma porção de vidas, e vívidas


abraço

Eurico disse...

Assis, querido amigo,
e demais amigos e amigas que aqui vierem,
não levem a sério tudo o que publico. Há dias em que minha criança está impossível...rsrsrs e eu me divirto com as postagens. E pior: levo essas brincadeiras linguísticas muito a sério kkkk

carmen silvia presotto disse...

E deve ser assim, nestes saltos quânticos é que encontramos a criança em Poesia... gostei muito das indagações.

Um abraço carinhoso

Carmen.

Canto da Boca disse...

Haverá algo mais lírico do que o seu eu?
A vida sempre me espanta, não deveria mais... Mas sempre me espanta!

Abraço, Eurico!

Eurico disse...

Grato, Carmen,
tenho lido o teu Vidráguas e lá a poesia é trans/lúcida e bela.

Abç

Eurico disse...

Val,
só um eu-lírico muito infantil, como o meu, inventa de tratar com tal "molecagem" a teoria quântica.
Mas... licença poética dada a um eterno guri, dá nisso aí, né kkkkkk

Rejane Martins disse...

Bingo! Eu só estou aqui por isso, por essa molecagem lírica - é ela quem me salva, foi ela quem me salvou de ser completamente gente grande e "inteligente". Ainda bem que eu não entendo nada de poesia nesta vida quântica, ainda bem, ufa! Só uma coisa não me cansa: a procura pela vida na palavra, hei de fazer isso até meu último minuto - e quando encontro, como aqui, Eurico, sinto-me em plena.