Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quarta-feira, agosto 25, 2010

Ibbür (evocações de um Recife Antigo, Nº2)





















1
O porto, defendido por muralhas de Al-raçif ,
é a obra milenar das madréporas e dos rios.
Os diques e os jardins são de um príncipe alemão,
com a ajuda prestimosa dos marranos.
Mas os bazares...

ah, os bazares... são de sírios, libaneses,
velhos turcos, carcamanos;
Isso explica a algaravia
dos pregões mediterrâneos,
nessa vila de moçárabes.


2
Ao adentrar essa nave,
quase mesquita, da Penha,
imensa abóbada erguida sobre o pátio do mercado,
sinto um sussuro ultrafânico.

É uma exigência do ibbür:

Sete sermões capuchinhos.
Sete bençãos carmelitas.
Sete-estrêlo.
Sete liras.

No meu coração há um dardo.
Sobre os meus ombros, um fardo.
Da moiraria oiço um fado,
nesses vitrais projetados,
no espelho de um mar azul...


Meu ser fica impregnado:
Essa é a exigência do ibbür.



(dedicado ao ex-capuchinho da Penha e meu irmão, Diógenes Afonso de Oliveira)

Fonte da imagem:
Basílica da Penha - Recife - PE
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