Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

segunda-feira, agosto 23, 2010

Guilgul Neshamot (evocações de um Recife Antigo, Nº1)




















Nas pedras da Bom Jesus
há segredos de uma estrela:

achados subterrâneos,
porcelana e prataria,
velhos cachimbos batavos
e um poço dos batizados,
em que um avoengo bodek,
cumpria todos os dias
milenares oblações.

Percorro os trilhos urbanos
da antiga Rua da Cruz.
Súbito, surge uma luz!

Numa antiquíssima luz,
oiço o rabino Fonseca,
glosando um mote esotérico
da inolvidável Torah:
Se da pedra, brota uma fonte,
do Rochedo, nasce um mar
de vagas inumeráveis
que reverberam no além,
num misterioso além-mar...


Era o guilgul neshamot,
essa esperança bonita
dos que decifram a morte...


Luiz Eurico de Melo Neto
(ao cunhado-amigo-irmão Kelson Roberto da Silva)
Fonte da Imagem:

Rua do Bom Jesus
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