Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

terça-feira, maio 26, 2009

Femme nue, femme noire... - um hino de Léopold Sédar Senghor




























Femme nue, femme noire
Vétue de ta couleur qui est vie,
de ta forme qui est beauté
J'ai grandi à ton ombre;
la douceur de tes mains bandait mes yeux
Et voilà qu'au coeur de l'Eté et de Midi,
Je te découvre, Terre promise,
du haut d'un haut col calciné
Et ta beauté me foudroie en plein coeur,
comme l'éclair d'un aigle

Femme nue, femme obscure
Fruit mûr à la chair ferme,
sombres extases du vin noir, bouche qui fais
lyrique ma bouche
Savane aux horizons purs,
savane qui frémis aux caresses ferventes du Vent d'Est
Tamtam sculpté,
tamtam tendu qui gronde sous les doigts du vainqueur
Ta voix grave de contralto est le chant spirituel de l'Aimée

Femme noire, femme obscure
Huile que ne ride nul souffle,
huile calme aux flancs de l'athlète, aux
flancs des princes du Mali
Gazelle aux attaches célestes,
les perles sont étoiles sur la nuit de ta peau.
Délices des jeux de l'Esprit,
les reflets de l'or ronge ta peau qui se moire
A l'ombre de ta chevelure,
s'éclaire mon angoisse aux soleils prochains
de tes yeux.

Femme nue, femme noire
Je chante ta beauté qui passe,
forme que je fixe dans l'Eternel
Avant que le destin jaloux
ne te réduise en cendres pour nourrir les
racines de la vie.


Extrait de
" Oeuvres Poétiques"
Le Seuil

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Tradução de Leo Gonçalves


mulher nua, mulher negra
vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!
eu cresci à tua sombra;
a doçura de tuas mãos vendava meus olhos.
e eis que no ventre do verão e do meio-dia,
eu te descubro, terra prometida,
do alto de um alto colo calcinado
e tua beleza me acerta em pleno peito,
como o relâmpago de uma águia.

mulher nua, mulher obscura
fruto maduro de carne firme,
sombrios êxtases do vinho negro,
boca que bota lírica a minha boca.
savana dos horizontes puros,
savana que freme às carícias quentes do vento leste
atabaque esculpido,
atabaque tenso que rosna sob os dedos do vencedor
tua voz grave de contralto é o cântico espiritual da amada.

mulher nua, mulher obscura
azeite que não crispa nenhum sopro,
azeite plácido nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do mali
gazela de laços celestes,
as pérolas são estrelas sobre a noite de tua pele
gozo de jogos espirituosos,
os reflexos do ouro rubro sobre tua pele que rebrilha
à sombra de teus cabelos, se esclarece minha angústia
aos sóis próximos de teus olhos.

mulher nua, mulher negra
eu canto tua beleza que passa,
forma que fixo no eterno
antes que o destino cioso
te reduza a cinzas para nutrir as raízes da vida.

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A tradução é de LEO GONÇALVES, na REVISTA RODA, Nº1.
O poema é do senegalês LÉOPOLD SÉDAR SENGHOR,
considerado o grande hino do continente africano.
Para ver o belo sítio de origem,
CLIQUE AQUI.
Fonte da tradução:
http://www.salamalandro.redezero.org/categoria/leopold-sedar-senghor/page/2/
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