Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

sexta-feira, maio 29, 2009

Aurora brasílica (lenda junguiana)


imagens google

*
Eis a alva!
Mãe de antemanhã.
O Sol
era uma fruta madura
que respingava reflexos de ouro
sobre a pele verde da mata espessa.

Brilhava a aurora luminosa!
E o húmus guardava as raízes da vida.
*

Ao contemplá-la, assim,
desnuda e sem véus,
sinto aflorar em mim, a emoção mais longínqua.
Oiço, bem dentro, num sussurro de milênios,
u'alma feminina e ancestral.
*
Havia um ermo anterior,
antes mesmo que aqui aportassem
as naus dos povos do crepúsculo.
Guardo, nos meus cromossomos,
essa arqueologia remotíssima,
de vozes, de gestos,
de construções de sentido.
As percepções das gentes aurorais.

Sim, eis a alvorada,
mítica mãe de um Mundo imemorial!

Do ventre dessa terra prometida
eclodiam seres aquáticos...
Não haviam as paredes de então.
Nem essas babélicas edificações.
O Sol
andava em Peixes...
E havia apenas manhã.
Alva e fêmea.
Era mãe e mulher.
Nela eu estive ab origine.
Ali eu estava de pé!
***
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