Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

terça-feira, outubro 02, 2012

ÁPTERO (ave tardia)

APTERIX - ave imaginária - E. B. Brito

 
 
E eu, aqui, in/significante,
fresta do acaso, entre voláteis vazadouros,
agarro-me ao nexo do estar.

Se é alado o céu e a ventania vai aonde quer,
por que pousar?

Tudo o que é vida passa, tudo é lábil
e a flor bela é frágil e breve.
Viver é instante e espanto,
imprevisível notação de uma ária dodecafônica.
Chuva fugaz, lugar nenhum.
Todas as instâncias se acotovelam em janelas irreais:

Há lócus de mim, não eu.
Não sou,

mas evidências instáveis resistem sem mim.
Creio no solo sob os pés.
Ando movediço...
Ave tardia.
Áptera.
E só.



Eurico
(poema sem data, sem hora, sem lugar...)

Fonte da imagem:
AbARCA

 

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