Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

terça-feira, outubro 09, 2012

CANÇÃO DE TUDO


 
Sinfonia dos Pássaros
Emanuel B. Brito



Há uma melodia em tudo o que se move.
Uma música browniana,
eu diria,

que há mesmo um timbre subreptício
no fluxo do ser das coisas, ab initio.
Uma música no carreiro das formigas e das galáxias.
Uma música de tudo...

Desde o movimento imenso, o belo Sete-estrêlo ,
até o humilde arroio, em seu áspero leito.

Esse silêncio.

a débil vibração das asas de uma vespa.
e uma oitava acima, o luminoso som da aurora boreal,
Os entretons da voz sonora
das carambolas
que ora penduleiam
entre as galhas
que farfalham

que espalham uma melodia

Os sons.
A impressão dos sons...
esse ranger de dentes
um interno trote,
um galope, o coração..

A voz presa na glote,
o fagote,
a úvula, a uva e o euritmo da chuva.

O cravo temperado
o som das mangas verdes 
em diáfanos vestidos (não vedes?)
Gravetos percutidos pelos pés.
Mil setas que sibilam.
E o pipilar das aves, dentro e fora.

A música do agora 
brilhante e bela música
de uma eterna estação
Ecoa consoante
desde antes,
muito antes,
na música desse instante.


Nota do blogueiro:
(canção a ser musicada ao violão)



 
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