Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quinta-feira, dezembro 08, 2011

LINHA DE FUGA (ou, notas para uma poética não-anquilosante)

“As nossas convicções mais arraigadas, mais indubitáveis, são as mais suspeitas.
Constituem o nosso limite, os nossos confins, a nossa prisão.
Pouca coisa será a vida
se nela não arfar um esforço formidável
de alargamento das suas fronteiras.
Vivemos na proporção em que ansiamos por viver mais.
Toda a obstinação que procura manter-nos
no interior do nosso horizonte habitual
significa debilidade, decadência das energias vitais.
O horizonte é uma linha biológica, um órgão vivo do nosso ser;
enquanto gozamos de plenitude,
o horizonte emigra, dilata-se, ondula, elástico,
quase ao compasso da nossa respiração.
Em contrapartida, quando o horizonte se fixa,
é porque se anquilosou e nós entramos na velhice.”


...................................................Ortega y Gasset











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