Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

sábado, janeiro 29, 2011

CARNAVALÍRICO (5)





Variações em Frevo-de-rua
(Jazz-band lírica Op. 2)



Criam clarões os clarins...

...e os tubas, vindo em seguida,
entre o bumbo e o bombardino
bois-bumbás, bumba-meu-boi
dividem o tempo e o espaço
em sincopados compassos
dois por dois,
binário, o baixo
du'a batucada maluca
Olinda carnavalinda
Recife carnavalúdica

A turba, atabalhoada,
pula-pula na fuzarca.
Invadem a vida e a praça,
mil passos altissonantes;
dançam bobos, mascarados,
dançam, em alegre dobrado.
Do frenesi faz-se música:
Olinda carnavalinda
Recife carnavalúdica

Logo, irrompe a clarineta em solos de fantasia,
modulações dionisíacas duma
linda melodia,
com imprevistos fraseados
e semi/breves volteios,
variações sobre um tema,
floreado de trombetas
da metaleira-motriz,
de oitava em oitava/oito e oitenta:
Olinda linda carnavalinda
Recifervente, pimenta.

Multidão dodecafônica
multidão doida sanfônica
a turba espremida em síncopes
a vida espalhada em blocos
a dança branda e violenta
da vibração que se inventa
a trombone
ou percutida,
Olinda carnavalinda
Recife carnavalúdica

Num rasgo, o saxofone,
varando a noite, o insone
musicista da retreta.
(quem dorme no carnaval? )
ninguém dorme
apenas brinca...
Olinda carnavalúdica
Recife carnavalírica



Eurico
19/09/2010
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