Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quarta-feira, novembro 26, 2008

Dilúculo (impressões)





















...a noite, ou o signo da noite,
esse envoltório, invisível e volátil,
cinge as coisas em derredor...

...nada faz sentido sem o envoltório
in(di)visível da palavra.
Nada.
Nem a escuridão da noite.
Nem mesmo a fugaz antemanhã...

...jamais serão pardos os telhados
dos pardieiros, sem o anúncio das gentes.
E o que dizem as gentes dos telhados pardos?
Dão vivas à revoada das aves na alva?
Ou aborrecem o arrebol,
esse vocábulo em que lucilam sombras?

Os pardos.
Os pardieiros.
E os padeiros.
Eis os que se insurgem contra as trevas,
a dividir o pão nas entrelinhas da madrugada,
grávida do dia-na-noite.

Eis os que despertam quais perdidos pardais....no impreciso Dilúculo.
Lê-se essa palavra (in)pávida,
claro-escuro,
lusco-fusco...
Bela,

enquanto bruxuleia
nas estepes do terrunho dicionário
em que hão de vir pascer os rebanhos da aurora.

Amanhece...

A palavra aflora, agora?
Ou passa a impressão
de quase manhã...











Fonte das imagens:
1) Vincent Van Gogh - Noite
http://sunsite.utk.edu/FINS/Knowledge_Organization/gogh-1.jpg

2) Claude Monet - Impressão, Sol Nascente, 1872
http://br.geocities.com/maritp31/monetsol.jpg

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