Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

terça-feira, setembro 15, 2009

No Taiti (Ou, no bolso do casaco da vovó)






















Sim,
Eu fugiria disso tudo aqui,
Agora mesmo, de manhã...
Fugiria qual Gauguin
Pro Taiti.

Ou me esconderia, faz-de-conta,
num daqueles grandes bolsos de minha avózinha
Lugar paradisíaco, em que ela guardava seus biscoitos
Ali, me abrigaria dos ventos de agosto,
E, à tardinha,
Ouviria Chopin, numa valsinha

Um grande bolso?
Ou uma bolsa?
Ah, imensa uma bolsa d’água!
Talvez fosse melhor boiar
numa lagoa azul primacial
E adormecer com ternura, no útero de Deus.

Hoje eu largaria tudo isso
Todos esses detestáveis compromissos
Pra ficar bem distante daqui
Ficar um instante
Sem mim.
Fugiria, ainda essa manhã,
Fazendo a mesma rota do Gauguin
E iria,
Ah, se eu iria..
Me embrenhar em um lugar chamado Taiti.


Imagem:
Paisagem Taitiana
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