Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

segunda-feira, setembro 10, 2012

ARABESCOS OU A/RABISCOS - uma loa para E. B. Brito



CARANGUEJO - E. B. Brito




Que o desenho é o fundamento do trabalho dos grandes artistas, é sabido por todos. Mas não é só isso. Alguns o elegem como seu principal veículo de criação estética. Daí os grafismos, o tachismo, o bico de pena, as diversas apresentações do desenho, que perpassam os vários nichos da arte contemporânea.


Assim, os intrigantes desenhos de Emanuel Bezerra de Brito, (que, na sua modéstia de sábio cearense, ele costuma denominar de rabiscos), revelam sua insólita maneira de olhar o mundo, aparentemente caótica, decerto, mas, pontuada por representações de um mergulho interior, que esse artista eleva ao nível de obra de arte, produzindo formas viscerais e telúricas, tais como:

Astral
ou



Bizunga


















formas que, ao emergirem desse mergulho, vêm ensopadas de um lirismo abstrato e profundamente pessoal.

Essas linhas por vezes  se aproximam da forma tradicional dos arabescos, embora assistemáticas e sem preocupações geométricas, como nesses Caminhos:






Não lhe escapa, no entanto, um certo figurativismo, nascido da observação de seu entorno, de seu universo pessoal, com grande carga de elementos que transitam entre o sonho e o mítico, como os que se notam em


Ás de Copas


 
 
Vaqueiros
 
 





 
Mariamiranda



e na belíssima                                      
Colombina

 
 


Essa espécie de expressionismo lírico, despojado e até mesmo informal, (eu deveria dizer naïf) em sua abordagem técnica, pode sim, ser chamada de a/rabiscos (não apenas rabiscos!), posto que são verdadeiros arabescos intuitivos, mas, de surpreendente beleza, principalmente nos que lembram o que eu chamo de vitrais abstratos, tais como

Andaimes,


ou em Olhares





A reiteração de certas composições e traços trazem uma certo ritmo ao seu tracejado, uma musicalidade espontânea, lúdica, casual, que, nos leva à percepção das imensas possibilidades dessa obra, que permeia as mais imprevistas nuanças de uma ars poética, onírica e surreal,

como se vê neste impactante The Wall



Mais desse abstracionismo lírico os leitores hão de encontrar no blog AbARCA,
que navega serena e altaneira, levada pelas mãos desse artista bissexto e simples,
que guarda um estilo próprio dos grandes mestres.


Um abraço, Manel.


Eurico
setembro/2012

***

P.S.:
Estamos trabalhando juntos em um projeto que vai unir o meu inédito Ser Tão Profundo ao talento do amigo Emanuel.
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