Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quarta-feira, março 29, 2017

ÁPTERIX


APTERIX - ave imaginária - E. B. Brito

 
 
E eu, aqui, in/significante,
fresta do acaso, entre voláteis vazadouros,
agarro-me ao nexo do estar.

Se é alado o céu e a ventania vai aonde quer,
por que pousar?

Tudo o que é vida passa, tudo é lábil
e a flor bela é fr
ágil 
... e breve...
Viver é instante e espanto,
imprevisível notação numa ária dodecafônica.

Chuva fugaz, lugar nenhum.

Todas as instâncias se acotovelam em janelas irreais:
Há lócus de mim, não eu.
Não sou, 

mas evidências instáveis resistem sem mim.

Creio no solo sob os pés.
Ando movediço...

Ave tardia não voa.
Áptera.
E só.



Eurico
(poema sem data, sem hora, sem lugar...)

Fonte da imagem:
AbARCA

 


Postar um comentário