Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

quinta-feira, março 26, 2009

Sonata para o Dr. Alzheimer (3º mov.) allegro ma non troppo





















Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.

(João 10:10)



Apesar de tudo resta a Vida,
com tudo o que é insolvente e provisório
Embora, evanescente e imprecisa, a Vida...
Resta, ainda.

De algum modo, que não mais contente,
Há frestas para sorrisos
E o aceno transcendente.

De que adiantam saberes
e toda a inútil lógica humana?
Os gatos são mais felizes.
Brincam indenes sobre as casas,
Mesmo sem logus.
Mesmo sem asas.

Hoje vestirei a melhor roupa.
E celebrarei o ar que ainda respiro.
Tomarei banho de mar.
A água morna e arrepios pelo corpo.
Que apesar de tudo resta a Vida.
A minha vida.
Realidade única e indevassável.
A Vida!

Baterei as palmas e piscarei os olhos.
Lamberei os meus lábios salubres.
Celebrarei o Sol e a unicidade.
Eu sou!
Allegro ma non troppo,
Eu sou!
Trago um júbilo comigo:
Eu sou!



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