Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

sábado, março 29, 2008

Hagar


Agora, um mundo sem guante
e essa pele azul, diamante
sob o sol primevo:
Hagar é livre!
*
Bem sei que há fome,
e que esquálidas infantas
perambulam pelas estepes,
a fronte de ébano sob o sol.
Sei que há natimortos
e dor, muita dor.
Mas é livre Hagar !
*
E não há bem maior,
nem outro anelo,
mesmo entre abrolhos,
mesmo à deriva
maior que a vida,
é estar sem guantes,
é a liberdade
de andar à toa, pelas planícies,
levando a noite dentro da pele.
*
E Hagar é livre -
é livre, Hagar!
***
Eurico
Março 2008
(retomando a produção)
***
Poema dedicado a Jorge Rosmaninho
editor de Africanidades
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