Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

domingo, fevereiro 03, 2013

DOS BLOCOS LÍRICOS (notas para uma analítica da folia 5)

FLABELOS
E. B. Brito


























"Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomei tristeza. Hoje tomo alegria!"
......................................Manuel Bandeira


Nada mais lisérgico do que o lirismo.                                           
O lirismo é visceral.
É compulsão.
Se assim não fora, não haveria a embriaguez
desses alegres bandos,
que resistem,
com seu cantar de serestas,
nostálgicos, em plena festa,
contendo o frevo, ao bordão...

Muitos aludem às delicadas evoluções
E aos singelos volteios, em marcha lenta,
do  leque das flabelistas,
bem à frente,
bem à vista
de todos;
Eles se iludem
com essa suavidade,
que esconde um atavismo:

O quanto há de ancestral nesse lirismo.

Eles não sabem que o lirismo é intenso, rizoma
de pulsões, disso que assoma,
quando nos invade a alma
o trautear dum flautim
o dedilhar das manolas,
banjos, violões, bandolins.

(Eu mesmo, esqueço de mim.)

Soou o apito! 
Segue-se um acorde em uníssono!
Cantarolam, as pastorinhas!

(Já não estou eu, estou todos,
delírico frenesi.)

Não há nada mais lisérgico do que o lirismo.    
  


Fonte do desenho acima :



Cantem, pastorinhas!
Bloco lírico Flores do Capibaribe 2013
Poema dedicado às Flores do Capibaribe!
Mais imagens em:

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