Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

sábado, março 06, 2010

Feminina (ciranda mitopoética)



"a vida vem em ondas como o mar" (Lulu Santos)


A consciência é profunda e marinha
e a vida é ondulada...
Ai... a vida é a in/exatidão feminina do mar!

Estava na beira da praia, na beira do mundo,
olhando o que há...
me veio por dentro essa onda
com a força do vento nordeste, girando no ar...
A praia era um abismo azulado,
era a beira de tudo,
essa coisa de fora
esse Estar.
A alma, molhada por dentro,
lembrava-me um útero, em um outro lugar.

Estava na beira da praia, olhando a ciranda
das ondas do mar.


A essência das águas me chama
é um doce acalanto, uma canção de ninar.
A água do abismo me ama,
e me faz levemente boiar.

A consciência é profunda e marinha
e a vida é a in/exatidão feminina do mar.


***

(singela homenagem aos seres femininos
que harmonizam a crosta desse planetinha azul)


Salve o 8 de março,
mas, todo dia é, em essência, Mulher!


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