
Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),
quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha
a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida
com tudo o que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.
***
Dedico esse soneto do Carlos Pena Filho
ao meu filhão Maurício
e ao compadre e poeta Diógenes Afonso.
***
Fonte da imagem:
http://www.treklens.com/gallery/South_America/Brazil/Northeast/Alagoas/photo400329.htm
***
15 comentários:
Muito bonita a mensagem contida nesse soneto. As vezes a vida nos desafia, e a única saída, é vivê-la. E sei bem como é isso.
Gosto sempre de dizer que no fundo do poço tem uma mola que nos impulsiona para ver a luz.
abraços
Nossa... Passei para avisar que já 'invadi' o Sítio d'Olinda e me deparo com esta bela mensagem...
Faço minhas as palavras da Paula!
Ah, espero que goste da postagem lá no Sítio...
Beijos
Nossa, Eurico. Esse mexe comigo, com minhas emoções. A Vida é maior que a dor de viver - e quando se mergulha na escuridão, a escolha é sempre vir à tona, onde se recebe de novo, A LUZ.
É lindo demais o que você escreve.
Beijos
Jaci, o poema é do Carlos Pena Filho, saudoso poeta recifense. Autor de A Mesma Rosa Amarela, canção que fez sucesso na voz de Maísa.
Gente, vocês me emocionam sinceramente; adoro as passagens por aqui, a poesia correndo solta. Eurico, não importa se de sua autoria ou não, você consegue captar a beleza das palavras. Companheiro poeta, bom ter você por aqui.
Beijos
Eurico, acredito que um poeta sabe mais do que ninguém captar a essência da essência lavrada num texto poético. É próprio da irmandade. Naturalmente que o filhão e o compadre estão envaidecidos. Eu estaria. Bom final de semana.Abraços
...'entrar no acaso
e amar o transitório'.
taí uma receita para
se viver feliz.
muahhhh, poeta!
Eurico,
fiquei tão envolvida na sua sensibilidade em postar esses versos...
acabei nem olhando a autoria do poema. Mas, o que importa mesmo é ter um poema tão bonito, que enxerga a alma, escolhido por você. Então, o mérito é seu.
Beijos
Olá querido Eurico, maravilhoso Soneto... A mensagem nele contida, tocou o meu coração... Boa Noite,
Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha
Amigo, o nosso conterrâneo, Lenine, compôs um música que eu amo.
VIVO
Precário, provisório, perecível;
Falível, transitório, transitivo;
Efêmero, fugaz e passageiro
Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo!
Impuro, imperfeito, impermanente;
Incerto, incompleto, inconstante;
Instável, variável, defectivo
Eis aqui um vivo, eis aqui...
E apesar...
Do tráfico, do tráfego equívoco;
Do tóxico, do trânsito nocivo;
Da droga, do indigesto digestivo;
Do cancer vil, do servo e do servil;
Da mente o mal doente coletivo;
Do sangue o mal do soro positivo;
E apesar dessas e outras...
O vivo afirma firme afirmativo
O que mais vale a pena é estar vivo!
E estar vivo
VIVO
E estar vivo
Sabe, apesar dessas e de outras, amigo Eurico, para mim, o que interessa é estar Viva.
Carinho, sempre.
Há sempre uma saída.
Cadinho RoCo
Belo poema, parabéns pela sensibilidade.
bjos e ótima noite prá vc!
Entrar no acaso e amar o transitório é bonito demais... mas, também triste. Todavia a vida é este intervalo, como diria Italo Calvino, entre o berço e o túmulo. Afinal, o que tenho é a vida. Agora. Isso é bom.
Abraço.
Eurico,
vim aqui consertar um deslize meu, o de ter demorado tanto a te visitar, mas como nunca é tarde para nada, aqui estou. E então concluo de que me abstive de tanta beleza pousada no teu cantinho. L´no blog, pareces um menino sapeca, e aqui a tua seriedade e sensibilidade aflora com muita intensidade.
Voltarei!
Beijinhos
Eurico,
parabéns pela escolha do poema, cujos versos nos trazem lindas e líricas imagens, mesmo que, muitas vezes, indesejadas. Afinal, nos resta a vida!
Grande abraço.
Postar um comentário