
O Homem Velho
(Caetano Veloso)
O homem velho deixa a vida e morte para trás
Cabeça a prumo segue rumo e nunca, nunca mais
O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais
A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol
As linhas do destino nas mãos a mão apagou
Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock'n'roll
As coisas migram e ele serve de farol
A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fugaz
Do sexo das meninas
Luz fria, seus cabelos têm tristeza de neon
Belezas, dores e alegrias passam sem um som
Eu vejo o homem velho rindo numa curva do caminho de Hebron
E ao seu olhar tudo que é cor muda de tom
Os filhos, filmes, livros, ditos como um vendaval
Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal
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(depois de ler e ficar horas ruminando
sobre o post Ondas Douradas, no Florescer, de julho/2008,
tive que vir pra cá, pro meu recanto,
lamber minhas próprias feridas e ouvir Caetano...)
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Fonte da imagem:
Poeta Pablo Neruda
Para ouvir Caetano, clique abaixo e depois minimize o wmplayer:
http://www.mp3tube.net/br/musics/Caetano-Veloso-O-Homem-Velho/48043/
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11 comentários:
Oi amigo,
depois dá uma passada no meu blog, tenho um presentinho para vc, coisa simples mas com carinho..
bj
Muito bom vir até aqui.
De cara, encontro meu poeta maior, numa foto que faz pensar.
Depois, Caetano, que dispensa comentários.
E finalmente você.
Obrigada pela visita, pelas palavras gentis e pela "pausa para uma introspecção".
Era exatamente isto que eu fazia qdo fiquei uns poucos dias sem postar.
Esta história de lamber feridas...Tô tirando de letra...
Bom dia!
E apareça sempre que quiser.
Eu garanto que volto aqui...
Oi, Eurico-amigo.
Recentemente fiquei dois dias em silêncio.
E foram mágicos, estes dias.
Ouvi o que jamais pensara haver.
Senti, coisas que há muito, o adormecimento do correr dos dias, me roubara, ou eu mesma, como prefiro pensar, roubara de mim.
Bem, "o homem velho" ama, pensa, e viverá muito e feliz, se decidir que, após as pausas, (e que não demore) há um universo de possibilidades.
Carinho, sempre.
Quando se tem a dimensão de que somos seres únicos, numa única existência(até onde compreendemos) e que, somos mortais...aceitamos, também, que caminhamos para o envelhecimento. Talvez, numa visão um tanto romântica, gosto de perceber a pessoa idosa numa uma etapa bonita de vida, em que o Ser prevalece como Ser, sem se despersonalizar. É Vida que segue.
Beijo poeta
Obrigado por fazer referência ao florescer nesse post tão bonito. Amei a imagem
Esther, já fui e trouxe comigo, alegre e vaidoso, o teu selinho!
Grato.
Kátia, um leonino sempre se encolhe, felino, para lamber certas cicatrizes...
Caetano é o maior poeta vivo, da língua portuguesa. Que me perdoem os puristas!
Bom dia!
Jacinta, algo naquela postagem, algo que não sei definir, o indizível, talvez, me trouxe um acréscimo de receptividade, o que chamo de lirismo reflexivo. Talvez porque, com maestria, deixaste um vazio enarrativo, uma necessidade de que cada leitor quede em si mesmo com suas próprias reflexões. O Ser. O Tempo. A fugacidade do vivido. Pretéritas memórias... A sombra do sol que se põe...pra nascer em outras terras...
Mai:
A pausa é breve. Mas necessária. Já estou fazendo novo post que diz exatamente isso. Amar o transitório...
Eurico
Mesmo quando estas a "lamber feridas" nos presenteia com boas reflexões.
No aguardo de continuar lendo o que você escreve.
abraços de admiração
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