
Era um sítio bem sombrio,
jogado no fim da rua.
(em que vi, ainda menino,
uma moça toda nua).
Tinha um velho cajueiro,
uma mangueira frondosa,
um jasmineiro cheiroso.
Tinha um poço com roldana
como a de um livro famoso.
***
Ouçam!
Ouçam!
Pssiu!
São pássaros!
Muitos pássaros!
Os pássaros ruidosos de eu-menino...
***
Hoje, passando de carro,
pela Rua do Futuro,
vi uma enorme geringonça,
uma araponga medonha,
que em repetidas pancadas,
fincava na minha alma
essas agudas estacas.
E os engenheiros, suados,
com seus elmos na cabeça,
nem me ouviram, ocupados
em fazer que o monstro cresça:
Ouçam!
Ouçam!
São crianças!
Cantam livres sobre os muros...
Serão aves ruidosas
nos pomares do Futuro?
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1) Para a amiga Paulinha Barros:
estou em busca do dizer singelo...
2) Dedico, também, a Ligia, catequista,
cujo niver, ontem, estava cheio de avezinhas ruidosas
e felizes.
3) Seriam os ecos do milharal do Dauri? rs
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25 comentários:
Ai, eu tinha muita fé no futuro até ver as crianças da minha vizinhança brigando e chamando palavrão.
Abração!
Uebaaaaaaaaaaa, conseguiiiirrrr! Mas to entrando, pisando levinho pra não apagar tudo...rsrs
Sabe como é, sou brasileira, nao desito nunca!
Enfim!
Querido, belo o teu recanto de letras. Poesias lindas, daquelas que cultiva a alma de qualquer um mortal. Poemas de notas leves. Me rendo a cada um dos seus versos, viu?!?!
Beijo grande!
Sieger, seja bem vindo! É verdade, a palavra só sai suja das boquinhas cujos ouvidos foram conspurcados pelos adultos. Precisamos mudar isso com amor, né isso!
Que post maravilhoso!!!!
Já está viciado nos meus passeios é só pegar o seu lugar e apertar o cinto e seguir viagem conosco!!!!
Beijossss
Crys, vc conseguiu!!! Entra, senta, vamos ouvir o canto dos pássaros, os pássaros hão de voltar...ah, ouvir cantar uma sabiá vinda do futuro...
Será que pega essa veia poética? Eu quero! Ou estou sensível hoje ou você me emocionou, das duas as duas.
Beijos
rsrsrs Ei, fiquei vermelhinha de vergonha com a preocupação com o dizer singelo. Ai, não vá se preocupar comigo, e com as minhas limitações. Muito obrigada.
Consegui me situar no sítio, com as fruteiras e vendo esse futuro que acaba com a rua do Futuro, as muitas estacas, os espigões, as árvores que não são replantadas.
Quando me mudei da casa da minha mãe para um apartamento a minha preocupação era se continuaria a ouvir os bem-te-vis. Ainda escuto.
abraços.
A minha intenção não foi essa, mas é que tenho como meta a simplicidade, algo difícil de ser conseguido. Quer ver um exemplo, a letra de Toquinho pra "Aquarela". um dia eu tiro esse vocabulário pesado de meus textos e me torno criança.
Um beijo afetuoso e amigo!
Rose, vc já é a propria poesia em pessoa, sensível e humana!
Abração.
Sempre leio com reverência o que você escreve. Presto atenção no modo, nas plavras, nos gestos e até nos asteríscos. Exercício de quem quer ler bem, mesmo sem entender tudo. Sei que ler quem entende de palavras e´distinguir sabores, como que de mangas, várias, muitas.
Ao final fiquei feliz vendo uma referência aos meus "issos". Fiquei feliz. Começo a sentir que escrevo "direitinho".rsrsrs
Abraço.
Rapaz!
bonito sentir essa nostalgia que prá mim, revisita o passado com esperança no futuro, mantendo os pés centrados na realidade do hoje. Gosto, especialmente do que me parece um clamor "[...]uma araponga medonha,que em repetidas pancadas,
fincava na minha alma. Bonito demais.
Beijo meu poeta
Olá, Eurico.
Ah! que saudade dessa terramada...
Além das lembranção pictóricas, ouvi uma doce melodia de repente, muita gente, nossa gente, nossa terra, nossos sons.
E eu fico "abestada", "abilolada" "lesa"...rsss Isto tudo.
Carinho, muito.
Dauri, Dauri, seus "issos" são precipícios. A gente sente a vertigem quando chega às tuas cimeiras . Tu nos levas pela mão, através um longo canyon que desemboca num vale. Acendes numes na mata. Eu segui tua caminhada naqueles textos xamânicos. Tua individuação. VC já foi iniciado, Poeta. Vc já pode voar!
Jacinta,
a boniteza vem de vc, germina aí dentro de ti. Vc que me lê com esses olhos penetrantes. Vc q me ensina a reflorescer...
Grato sempre e outro beijo pra tu, blogueira com nome de de fé e de flor.
É esse léxico bem nosso, né, Mai, que nos dá essa sensação de pertença. Assim deve ser com os índio que falam seus insólitos idiomas, com cada povo ou grupo. Abilolados, lesos, abestados, mas pisando em terra amiga e familiar. Talvez seja por isso, por esse sentimento de pertença, de abrigo, de conforto entre os seus falantes, que Pessoa (Bernardo Soares) cunhou a frase, o verso genial: Minha Pátria é minha Língua.
Estamos nela agora, e o mundo virtual não tem outra sustentação que ela. O Dauri, em parte, tem razão, como vc também, em não ilustrar os seus textos. A Língua por si só se sustenta!
Uffa!
Esse tema é a minha paixão: a Palavra!!!
Fico abilolado, abestado e leso!!! kkkkkkkkk
Obrigado, amigo, por me considerar iniciado. Inicio-me agora,em novos mistérios, os do dia de amanhã.
Teus comentários me ajudam no exercício - lúdico - de escrever.
Heim, Exatamente porque venho de uma "travessia" num desfiladeiro, estou com uma série mais brincalhona, HORAS DESCONEXAS.
Abraço.
Isto é uma festa-frevo! Que pula que roda e cai de cócoras e cisca no chão...
Uma rapadura na boca, um rolete de cana-caiana, docinho...
Não me supus blogueira, nenhum dia antes do primeiro. Hoje, sinto uma alegria que estufa meus dois corações...
rss
Teus poemas convidam prá mais.
Agora, teus comentários-canibais de palavras, vão me deixando numa dependência quase química numa "verborragia" quase insana de tanta perplexidade.
"...A língua é minha Pátria..."
Mais carinhos.
É mais, é Mátria, é mãe, é genetriz, é genesíaca.
Ó Mai, amiga de violeiros, de cordelistas, roqueiros de mangue e mar...eu também canto, aluado, ensolarado, na terra-mãe, no aconchego, que é dizer meus óxentes, meus "visse", meu linguajar ancestral. Perdoa-me essa viagem, esse meu sarapatel, perdoa essa carnaval. Mas subo e desço ladeiras atrás de andores dos santos, coco de roda, ou folia. Aqui eu falo e sou pátria, aqui há útero, então, Mátria!
Um cheiro inteirim pra ti!
não conhecia, ma foquei encantada com esta rua do futuro
beijos
E num cheiro, outro cheiros e outros cheiros... Aquele do sarapatel que inda amo. Aquele do cominho, que inalo e salivo, e que nem posso comer, que exagero e o estômago, desacostumado ao que é bom, reclama, e já não me deixa mais, provar. A manga cheirosa, e todos os cheiros e sons e tantos e muitos e tudo, que é o meu amor-nordestino, meu canto-nordestino, minh'alma-frevo. Meus pés, estão ai, também. Meu umbigo, é adubo de uma flor que só floresce em meu nordeste.
Pense numa alegria. Sou eu, hoje, agora.
Carinho, sempre.
Eurico, há evocações de terceiros que se não nos encaixam no todo, fragmentos ajudam numa composição de momento. De sítios, bosques e pássaros ainda conservo no que posso e fujo da rua em que moro na cidade no finais de semana porque estão plantando quatro espigões no entorno. No sítio tenho espigões de milho mas não os mordo por vingança. Abraço
Oiiiii! Olha eu aqui travez!!!!
Uuuuuuuuuuui que frio na barriga me deu!!!!
Um misto de orgulho, nervosismo e honra por poder participar de uma postagem de um blog seu...
Fui olhar o ‘Sitio D’Olinda’, é blog muito bonito, vocês fazem um belo trabalho, os textos e fotografias são fantásticos... Gostaria de linkar, inclusive, posso?
Só tenho uma dúvida, será que consigo fazer algo à altura???
Me diz como você quer mais ou menos. Tipo os folguedos e a historia com fotos???
Vou começar a pensar em como vai ser o post. Mais uma pergunta: pra quando vocês querem este post???
Beijão!
Muito obrigada pelo convite!
Vai ser muito bom colaborar com vocês!
Eurico, aproveitei a hora do café, e com fé vim te visitar.
Na rua do Futuro eu revi um pouco do meu passado e gostei.
Voltarei outras vezes.
Eurico, então, agora que estou com algum tempo para participar do AO da Loba e visitar os blogs. Gostei muito daqui. Voltarei.
Um abraço.
Que beleza de postagem, de um lirismo candente.... não sei se é este o adjetivo... mas é fundo o sentimento que brota do texto.
Parabéns! E ótimos dias aqui e no AO. Até Lá!
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