Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

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sexta-feira, dezembro 07, 2012

DAGUERREÓTIPO SOBRE DESTERRO



















O Sol é uma palavra cheia de claridade. 
Mas há algo enceguecente em sua luz. 
Por isso, quando alguém te disser 
que o Sol lateja sobre Desterro, 
não cismes em mais nada. 
Apenas lateja ao Sol. 

Simplesmente... 
Mas não tão simples: 

É que certas palavras podem ser inquietantes... 
Essas podem nos insular.

Basta captar imagens em preto e branco:
Desterro sob o Sol.

E nada mais dizer.




Fonte da img:
Dipity

terça-feira, maio 05, 2009

Das Dores (um pretexto para ouvir os Beatles)




















...................................a Lennon e McCartney



Das Dores era uma mulher solitária.
Habitava uma casinha de taipa no sertão do Exu,
E criava muitas cabras, todas pretas, soltas pela caatinga.

Só costumava ir à missa
nos dias em que havia casamento,
a ver se conseguia pegar o buquê.
Nesses dias o velho padre lhe falava da salvação da alma.

Flores na mão, seguia rindo,
pela estrada empoeirada.
Ria muito, aquela mulher, casta e solitária.
Ria, não se sabe de quê.
As cabras a seguiam, em cortejo, comendo as flores murchas.

Quando morreu não havia ninguém no enterro.
As cabras não vieram: não houve flores.
Somente o vulto de uma cadela, preta e triste, rondava o campo santo.

O velho pároco recitou um trecho do Sermão de Santo Antonio aos Peixes, à beira da cova rasa.
“Vos estis sal terrae...”
Um inútil sermão para uma alma extinta e breve.

Que o sal dessa terra seca lhe seja leve...





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Eurico uma releitura livre e
ditada pela emoção que sinto ao ouvir
Eleanor Rigby.

Mormente, ao ler a versão da Cássia Eller.

Moral do poeminha:há solidão em qualquer lugar,
em Liverpool
ou no Exu.

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Fonte da imagem: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/uploaded_images/foto-vidas-secas-777846.jpg


Releia DAS DORES, ouvindo Eleanor Rigby






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segunda-feira, novembro 03, 2008

Recife (miragem cianótica)




Ave maldita,
ave sem plumas.
Feiúra cabralinamente bela
:
asas pardacentas sob um céu aberto e azul.

Em ninhos de miséria e maresia
sob pontes e marquises,
a eclosão famélica de infantes e pardais;

Agora, o ar irrespirável do rio moribundo
:
O bairro antigo e sem vida.
Os arrabaldes com nomes de engenhos de fogo morto.
E essa aristocracia decadente e depressiva.

Um lastimável niilismo.
Crepúsculo dos ídolos
e dos jovens em queda livre
do alto do prédio das Ciências Humanas.

Poetas marginais com cirrose...
Com overdose.
O estreito beco da fome, da sede...
e da morte...


Embora, um fim de tarde em mar azul e transitório...
na exatidão aquática dos versos,
azuladamente, o mar,
miragem cianótica;
azuladamente, amar
em porto provisório...

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Eurico

(fotopoema estático e sem data)

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Fonte da img.:
moreda.files.wordpress.com/2007/03/recife-ceu-azul.jpg

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