
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa
1931
Img do gato na rua:
Clique de Tania Estrompa
Fonte:
http://img.olhares.com/data/big/104/1049298.jpg
2 comentários:
Poeta, poeta!
Estas suas últimas postagens são um mergulho profundo na existência.
Eu sei, refletir é preciso. Mas pro meu relógio, parente deste do Cassiano Ricardo, cada minuto é mais e mais e mais. E é neste mais que mergulho minha sede de vida, viu? rs...
Beijo queridão!
Ah... obrigada outra vez pelas palavras generosas que me fazem tão feliz!
Pessoa é inigualável! Desconhecia esse poema, faz refletir mesmo!
Me fez lembrar outra de Ferreira Gullar:
O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ron-ron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alegria
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença - é carinho.
Ferreira Gullar
Poema do livro
"Um Gato Chamado Gatinho"
Bjs e obrigada pela visita, sempre bem vinda!
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