
Então leiam Drummond, nesse texto
publicado em 1948, in Novos Poemas.
COMPOSIÇÃO
E é sempre a chuva
nos desertos sem guarda-chuva,
e a cicatriz, percebe-se, no muro nu.
E são dissolvidos fragmentos de estuque
e o pó das demolições de tudo
que atravanca o disforme país futuro.
Débil, nas ramas, o socorro do imbu.
Pinga, no desarvorado campo nu.
Onde vivemos é água. O sono, úmido,
em urnas desoladas. Já se entornam,
fungidas, na corrente, as coisas caras
que eram pura delícia, hoje carvão.
O mais é barro, sem esperança de escultura.
Carlos Drummond de Andrade
Imagem de Drummond lendo:
achamarteblogspotcom.blogspot.com/2008_06_01_...
5 comentários:
Meu amigo,
Lembro-me, agora, do seu Ecos no Eco que me acaricia até hoje. Faço-me borboleta em busca da beleza nos dias. Mas, e o seu Hermético, eu? Pois é, a carícia vem em forma de aprendizado. Por aqui sempre aprendo e apreendo. Seu blog é uma gostosíssima aula. Com prazer vou aprendendo(lirismo, prosa poética, poesia hermética...vou aprendendo)
Beijos e obrigada por tudo que me passas.
Voltei.
Quando quiser passear pelo jardim, entre no florescer. Olhe à direita e colha o carinho que lá deixei para você.
Ah, Jacinta, menina com nome de flor, sou muito grato por ter uma amiga com a tua generosidade e deicadeza. Também aprendo com vc, amiga.
Receba um grande e afetuoso abraço!
Ah poeta, sou uma fã incondicional de Drummond, especialmente da sua fase inicial, o irreverente modernismo, e o erotismo. Mas confesso que muito da sua obra posterior, a fase mais densa, mais reflexiva, já me fez penar muito, viu?
Este é um de seus poemas que já me fez viajar em várias direções! rs... Especialmente pelo seu caráter pessimista - uma face presente em muitos poemas dele.
Apesar disso, sob o ponto de vista da Poesia, é uma grande composição. Só não me peça pra decifrá-la! rs...
Beijo!
Só por essa últma frase, resolvo, agora, nesse momento, publicar a "receita para ler um poema" que o meu compadre Carlinhos publicou no Eu-lírico Nº 8(set/out 1995). Apesar de ter tomado umas duas Bohemias nesse domingo, vou digitar esse texto. Depois coloco a imagem na postagem...rsrsrs
Quanto ao poema, que também estava no Eu-lírico 8, parece mesmo meio desolado. Seria das urnas mortuárias que o poeta falava e da volta ao carvão, quer dizer, ao pó? Sério, o Drummond, né?
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