
Uma abstrata urbe abraça escombros
Duma praça
Sob bombardeiros
E abruptas rajadas
Na praça devastada, a fuga dos infantes
Sob bombas incessantes
Suas sombras cruzam
os campos (vietnamitas?)
Pipilam agourentas
Arapongas de fogo
Cabeças rodopiam
E há remoinhos dalmas
em chamas, as pequeninas vítimas.
Depois uma estranha calma
E um silêncio vago
Trégua em Nagazaki
Cessar fogo em Hiroshima
Como se estivéssemos a mil léguas
na retaguarda, com bálsamos pras dores.
E lenços brancos perfumados
Rodopiassem feitos folhas secas, sobre a praça (de guerra).
Súbito, volta à carga
O trom atroz, o ribombar dos bólidos
E o rastro pirotécnico
De Bagdá-Guernica
Inusitadas formas mutiladas, mortes sem sentido
(se algum sentido faz viver nesse cenário)
Sombras silvos sons funéreos
A urbe abraça e desabraça
A praça arruinada.
(Aplaca a dor mas dói, ouvir Debussy
Em feux d’artifice
Vendo esse belo e apavorado olhar
verde/vívido/dorido
dessa pequena orfã afegã... )
Fonte da midi clássica:
Feux d'artifice - Claude Debussy
Fonte da imagem:
Menina Afegã
Nota do autor:
Experimento uma série de poemas cujo processo criativo será ouvir Debussy e escrever em fluxo de consciencia, como se fosse um transe ou uma autopsicografia delírica.
Portanto, não me ocuparei da qualidade dos poemas, mas do efeito poético possibilitado por este processo.
Como sempre a postagem buscará um todo harmonico entre imagem, música e texto.
Chamarei essa série de dauriniana, em homenagem ao poeta Dauri Battisti.
Espero que os textos façam jus aos homenageados.
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