
Como opor ao pano de fundo da opaca eternidade,
A brevidade translúcida
Da vida?
E o que irá acontecer no próximo instante
Da minha,
Da tua,
Da nossa existência?
Isso importa mesmo saber?
Aconselho-te a soltar girândolas.
E a sapatear pela rua.
Deixar que o ritmo desse improviso,
Mais do que o das sístoles e diástoles,
Seja, em ti, um ondular dionisíaco e profundo.
Entre um passo e outro dessa dança cordial,
Habita, intraduzível, a vida.
Ela gira
E salta
E canta em ti.
És a agitação pulsante do divino sobre as águas.
És o fôlego no barro dessas moléculas.
És o fogo!
Só tu o podes sentir.
És essa sensação do apodítico.
Essa certeza túpida da tua própria respiração.
Essa vertigem de Ser.
Então, canta,
No âmbito estremecido desse instante!
Canta
E esquece a eternidade.
Canta e dança
E aquece-te à fogueira fugaz dessa presença:
A tua presença.
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14 comentários:
Oi Eurico:
Dioniso e Baco passaram por aí? Afinal, quem quer saber o que acontecerá no próximo instante? Não eu.
No momento, vou seguir o conselho do poeta: esquecer a eternidade e cantar e dançar. Pelo amenos até segunda-feira.
Um abraço.
Oi Eurico.
Dioniso e Baco passaram por aí?
Seja como for, gostei do conselho do poeta: cantar e dançar, desinteressado do que pode acontecer no próximo instante e esquecido da eternidade. Vou experimentar a fórmula. Até segunda-feira, pelo menos.
Um abraço.
(Fiz um comentário semelhante mas não sei se enviei. Se houver duplicidade, deleta um).
Não deletarei pq esse é vc em dois instantes... rsrsrs E vc já não é mais o mesmo no segundo instante. Apenas recordava o que escreveu/pensou. Agora? O agora passou rsrsrsrsrs :)
Melhor rir das minhas tolices.
Abraço fraterno.
Eurico!
Nossa,que tão lindo poema.
Sim,dançar e saltar.Sentir a vida que gira agora,neste instante.A vida "intraduzível" que canta em nós:que é forte...em chamas.
Com carinho
Abraço
A vida, se nos encanta, nos faz dançar e cantar. Então tratemos de seguir o poema e nos permitir presenças como esta. Lindo poema!
Beijo.
A vida, se nos encanta, nos faz dançar e cantar. Então tratemos de seguir o poema e nos permitir presenças como esta. Lindo poema!
Beijo.
Gostei muito Eurico!
Bjs.
viva, poeta querido, que a fálica fogueira, com seu calor solar, espalha brasa em nós, pra dançar a festa dos encontros, no ibérico miscigenar do sonhar.
meuabraço,
luis
Sigo sim teu conselho, ai vida...como eu quero a constelação.
Forte abraço
Que imagem linda!!! ^^
Os versos que seguem a beleza da imagem queima e tira o fôlego de quem lê. A espera por aquela presença irradia luz!!!
Lindo!!!
Beijos
A brevidade da vida por horas nos assusta e em outros momentos nos impulsiona, em viver o mais intensamente possível. Acho que sou uma contumaz nesse hábito; viver pra mim parece sempre uma canção bela mas com a rapidez da luz!
Beijos
Pois vivamos, Beti.
Vivamos, pois não há nada melhor a fazer enquanto seres vivos.
Taí um exemplo pra nós, nesse retrato musical que está a se ouvir ao fundo. Que pessoa, que ser vivo e que mulher: Chiquinha Gonzaga!
Vivamos in/tensamente, como ela o fez.
Abraçamigo e caloroso!
OLá Eurico, obrigado pelas palavras lá, e pelas que agora leio aqui...
As vezes paro para pensar nisso, nessa preocupação com o amanhã, sendo que nem sabemos se nele estaremos. Viver, sorrir e aproveitar os instantes talvez seja a fórmula da felicidade...
Um abraço na alma...parabéns Eurico...
Vim ouvir teu canto... saudade já - deste poeta diário - em ano bissexto. Há um encanto de todo o dia, na memória de quem já teve o privilégio de usufruir contigo, Eurico, uma centelha de vida. E por isso mesmo a gente retorna para ler-te. Tu fizeste toda a diferença na jornada do ano que passou, um abração.
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