
Trila na noite uma flauta.
É de algum pastor? Que importa? Perdida
Série de notas vagas e sem sentido nenhum,
Como a vida.
Sem nexo ou princípio ou fim ondeia
A ária alada.
Pobre ária fora de música e de voz, tão cheia
De não ser nada.
Não há nexo ou fio porque se lembra aquela
Ária ao parar, e já ao ouvi-la
Sofro a saudade dela
E o quando cessar.
..............................................Fernando Pessoa
Fonte da imagem:
http://deliriodoonirico.blogspot.com/2007/02/ao-som-da-flauta-de-p.html
Nota do blogueiro:
Este poema do Pessoa não possui título.
O título é da postagem e não do poema.
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2 comentários:
Pandora e Pã.
Caixas, mistérios, vazios, viagens ao fundo...
Leveza dos ventos, sopros de flauta, voos, nuvens, verdes e azuis...
Respiro fundo e já estou em alguma estrada de alguma aldeia ou mesmo na estrada de aldeia...
Pessoa e em seu vazio, os nossos.
Abraços d'amiga.
Que lindo meu irmao.
Quanto vale a pena vir aqui ler sua poesia.
Um abraço fraterno.
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