
Súbito, um abraço no Vazio
E a sensação
De que a Vida,
ninfa ligeira, que me escapa sempre,
Não faz nenhum sentido.
Apesar da taxonomia de Lineu,
Dos exercícios meta/físicos matinais,
com Alice no jardim;
E das dietas fáceis da auto-ajuda,
A vida sempre escapa, às margens desse rio.
Abraçar-se ao inesperado bambuzal
E adentrar em Pã.
Em pânico,
Sem pai, nem mãe.
Sem o aconchego de um lugar conceitual.
Sem as respostas prontas para as perguntas
Nossas de cada dia.
Abraçar-se ao bambuzal
despido das noções
Daquele mundo exato (e antinatural).
Quer vir comigo?
pergunta o Medo Imenso.
Agora, as mãos geladas
As patas, trêmulas.
Mais animal que racional.
Vertigem em poço fundo.
Mas, resta-me um flautim.
Aos poucos, ir soprando
o ar, nos dutos d'alma do bambu.
Sentir a náusea ir se tornando
em ária. Arfante, o peito nu.
Ouvir, do bambuzal, sua voz de flauta,
fêmea, dulce, sensual.
E haurir, serenamente,
o eros
da reconfortante vida trivial .
.........................Luiz Eurico de Melo Neto
Img flautista
http://aflautadepa.blogspot.com/
2 comentários:
QUERIDO EURICO, MARAVILHOSO E EMOCIONANTE POEMA AMIGO... ABRAÇO-TE COM CARINHO,
FERNANDINHA
"Vento espalhado na cachoeira, lua na curzam do bambuzal" e ainda por cima o som de um flautim...
Lógico: "Vertigem em poço fundo".
Um abraço.
Postar um comentário