
Femme nue, femme noire
Vétue de ta couleur qui est vie,
de ta forme qui est beauté
J'ai grandi à ton ombre;
la douceur de tes mains bandait mes yeux
Et voilà qu'au coeur de l'Eté et de Midi,
Je te découvre, Terre promise,
du haut d'un haut col calciné
Et ta beauté me foudroie en plein coeur,
comme l'éclair d'un aigle
Femme nue, femme obscure
Fruit mûr à la chair ferme,
sombres extases du vin noir, bouche qui fais
lyrique ma bouche
Savane aux horizons purs,
savane qui frémis aux caresses ferventes du Vent d'Est
Tamtam sculpté,
tamtam tendu qui gronde sous les doigts du vainqueur
Ta voix grave de contralto est le chant spirituel de l'Aimée
Femme noire, femme obscure
Huile que ne ride nul souffle,
huile calme aux flancs de l'athlète, aux
flancs des princes du Mali
Gazelle aux attaches célestes,
les perles sont étoiles sur la nuit de ta peau.
Délices des jeux de l'Esprit,
les reflets de l'or ronge ta peau qui se moire
A l'ombre de ta chevelure,
s'éclaire mon angoisse aux soleils prochains
de tes yeux.
Femme nue, femme noire
Je chante ta beauté qui passe,
forme que je fixe dans l'Eternel
Avant que le destin jaloux
ne te réduise en cendres pour nourrir les
racines de la vie.
Extrait de
" Oeuvres Poétiques"
Le Seuil
************************************
Tradução de Leo Gonçalves
mulher nua, mulher negra
vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!
eu cresci à tua sombra;
a doçura de tuas mãos vendava meus olhos.
e eis que no ventre do verão e do meio-dia,
eu te descubro, terra prometida,
do alto de um alto colo calcinado
e tua beleza me acerta em pleno peito,
como o relâmpago de uma águia.
mulher nua, mulher obscura
fruto maduro de carne firme,
sombrios êxtases do vinho negro,
boca que bota lírica a minha boca.
savana dos horizontes puros,
savana que freme às carícias quentes do vento leste
atabaque esculpido,
atabaque tenso que rosna sob os dedos do vencedor
tua voz grave de contralto é o cântico espiritual da amada.
mulher nua, mulher obscura
azeite que não crispa nenhum sopro,
azeite plácido nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do mali
gazela de laços celestes,
as pérolas são estrelas sobre a noite de tua pele
gozo de jogos espirituosos,
os reflexos do ouro rubro sobre tua pele que rebrilha
à sombra de teus cabelos, se esclarece minha angústia
aos sóis próximos de teus olhos.
mulher nua, mulher negra
eu canto tua beleza que passa,
forma que fixo no eterno
antes que o destino cioso
te reduza a cinzas para nutrir as raízes da vida.
*****************************
A tradução é de LEO GONÇALVES, na REVISTA RODA, Nº1.
O poema é do senegalês LÉOPOLD SÉDAR SENGHOR,
Fonte da tradução:
http://www.salamalandro.redezero.org/categoria/leopold-sedar-senghor/page/2/
http://www.salamalandro.redezero.org/categoria/leopold-sedar-senghor/page/2/
13 comentários:
QUERIDO EURICO... ADOREI AMIGO!!!
ABRAÇOS DE AMIZADE,
FERNANDINHA
Bonito poema. Bonito. Mas fiquei encantado com a foto.
Mulher negra,
mulher obscura,
mulher obscura,
mulher negra.
Águia amada,
olhos da vida.
Um abraço.
Um poema belo, muito bem escrito, uma bela negra.
abraços
QUE MULHER LINDA!
LINDA É É MUITO, MUITO, MUITO LINDA!
Sabe, Eurico o que mais me impressiona em ti, tua poesia, teus interesses, isto que sinto - tu, és inteiro RAÍZ, cultura, chão, umbigo-terra-mãe...
Lusofonia, África, Maracatu, tambor, ancestralidade.
Interessante é que nos presenteias com a arte, pura arte - imagem de uma mulher belíssima e, sendo do Senegal, foi poemada em francês e uma tradução para a língua portuguesa nos confere a possibilidade de ver, tamanha BELEZA e RAÇA.
Carinho d'amiga,
Mai
Sim, amigos, a beleza! Mas o que é a Beleza?
O que nos emociona estéticamente?
Algo que está gravado em nossos referenciais?
O que é a Beleza?
Para que serve a Beleza?
Por que existe o Belo?
Deixo-vos, por ora, a devanear com Léopold Sédar Senghor, poeta dos tantãs de África.
Volto em breve, pois ando a me consumir com a fruição de uma empreitada pela cultura. Estou a me sentir o próprio Mário de Andrade rsrsrs :)
Abraço fraterno.
Simplesmente magnífico!!
Estou até sem palavras!
Parabéns!
Beijos com carinho!
Bia Maia
http://olhardentrodosolhos.blogspot.com
Oi Lula,
Trés trés beau!!
Que poema lindo. Li na língua original e devo dizer que o poder está todo ali: que hino à mulher negra, ein? As mulheres da minha família são negras (e mulatas) e sinto que estas palavras são um hino a elas também :D!
Um abraço
Grato, Max, pela tua sempre agradável visita.
Bia, querida. Como é bom te visitar. Sempre tem algo bonito por lá, bem dentro do olhar dentro dos olhos.
Oi Eurico.
Belíssimo poema. É também um contraponto oportuno: louvar as beldades negras num tempo em que a maioria faz apologia das damas loiras.
Um abraço.
Eurico!
Belíssima postagem! Modelo linda e a poesia tem mesmo que ser um hino, exaltando a beleza. Que bom ver uma homenagem assim à mulher!
Beijos!
Eu estou extasiada com a força desse verbo e com a beleza da homenagem. Deve ser pra arrematar o mergulho que estou a fazer no livro, "A Literatura Africana, Literatura Necessária, II - Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe".
Abraçao e carinho, vizinho, sempre atento e cuidadoso.
;)
Exaltando a beleza universal, eu diria, mas, e principalmente um hino à África. Devem ser lindos os hinos à América, à Europa e à Ásia, mas esse me toca bem de perto.
Abraço fraterno e plural.
Abraço imenso e que envolva toda a raça... humana, pois essa, de fato, é a única.
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