
imagens google
*
Eis a alva!
Mãe de antemanhã.
O Sol
era uma fruta madura
que respingava reflexos de ouro
sobre a pele verde da mata espessa.
Brilhava a aurora luminosa!
E o húmus guardava as raízes da vida.
*
Ao contemplá-la, assim,
desnuda e sem véus,
sinto aflorar em mim, a emoção mais longínqua.
Oiço, bem dentro, num sussurro de milênios,
u'alma feminina e ancestral.
*
Eis a alva!
Mãe de antemanhã.
O Sol
era uma fruta madura
que respingava reflexos de ouro
sobre a pele verde da mata espessa.
Brilhava a aurora luminosa!
E o húmus guardava as raízes da vida.
*
Ao contemplá-la, assim,
desnuda e sem véus,
sinto aflorar em mim, a emoção mais longínqua.
Oiço, bem dentro, num sussurro de milênios,
u'alma feminina e ancestral.
*
Havia um ermo anterior,
antes mesmo que aqui aportassem
as naus dos povos do crepúsculo.
Guardo, nos meus cromossomos,
essa arqueologia remotíssima,
de vozes, de gestos,
de construções de sentido.
As percepções das gentes aurorais.
Sim, eis a alvorada,
mítica mãe de um Mundo imemorial!
Do ventre dessa terra prometida
eclodiam seres aquáticos...
Não haviam as paredes de então.
Nem essas babélicas edificações.
O Sol
antes mesmo que aqui aportassem
as naus dos povos do crepúsculo.
Guardo, nos meus cromossomos,
essa arqueologia remotíssima,
de vozes, de gestos,
de construções de sentido.
As percepções das gentes aurorais.
Sim, eis a alvorada,
mítica mãe de um Mundo imemorial!
Do ventre dessa terra prometida
eclodiam seres aquáticos...
Não haviam as paredes de então.
Nem essas babélicas edificações.
O Sol
andava em Peixes...
E havia apenas manhã.
E havia apenas manhã.
Alva e fêmea.
Era mãe e mulher.
Nela eu estive ab origine.
Era mãe e mulher.
Nela eu estive ab origine.
Ali eu estava de pé!
***
8 comentários:
QUERIDO EURICO, LER-TE É UM BEM PARA A ALMA AMIGO... DESEJO-TE UM BELO FIM DE SEMANA... ABRAÇOS DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDINHA
Estou me lembrando que lenda vem do latim legenda e quer dizer o que tem de ser lido. Juntando isso a teoria junguiana, temos gênese da mãe-terra num poema de bela estrutura e linguagem, que delata uma preocupação recorrente do poeta.
Isso não é romantismo. É dar sentido à vida, sim senhor! :)
Oh. Lobinha. Que quando vens aqui. Já me conhecem bem os meus amigos. E tu então, nem se fala. Estás a me devassar, feito a Dorita Vilela!
Sabes que esse poema veio da cloaca que publicaste. Tenho uma preocupação danada com o nosso imaginário. Precisamos de nossas próprias lendas... E isso remete a uma lacuna identitária da nossa nação. Eu busco fechar essa gestalt coletiva... rsrsrs
Uau que imagem linda, querido!!!!
As suas palavras e imagem se completam!!! Lindo demais!!
Beijos
Meu compadre Eurico, na mesma luta pelo resgate do imaginário perdido da nação brasileira, né?
Creio que a tarefa é difícil demais. Pra derrubar as imagens do "berço esplêndido", do "jeitinho" e da "herança dos degredados", vai ser preciso um bom tempo.
Mas, concordo com vc, que enquanto o nosso inconsciente coletivo estiver entulhado desse lixo arquetípico, nossa nação não elevará a autoestima.
A Aurora luminosa é tb uma excelente música de fundo, a mostrar a capacidade do músico erudito brasileiro.
Abração.
Oi, amigo.
Diante destas 'feras' que diria eu escondidinha aqui no meu cantin...
Viva o povo brasileiro!
Abraços,
Mai
Oi Lula,
"Alva e fêmea. Era mãe e mulher. Nela eu estive ab origine. Ali eu estava de pé!" - que hino à mulher!
Este texto exala a procriação, à força criadora: fantástico!
Um abraço
Grato, Max. Bom te ver!
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