
Quem diria...
O arco da minha rabeca é árabe.
Mas nós é que inventamos os desertos
Os hamburgueres,
E as calamidades.
Deus! quanto é vã nossa modernidade.
Perfunctória e fútil, eis a verdade.
Essa fuligem é tão mórbida
Quanto a obesidade.
Havia um coqueiral na praia.
Algumas casas.
Um farol.
E o que agora encontro é a Realidade.
Nem peixes.
Nem tarrafas.
Nem anzóis.
Deus! quanto é vã nossa civilidade.
E quando o tempo nos tirar o véu,
Pode ser tarde.
O arco da minha rabeca é árabe.
Mas nós já temos a indústria.
E o forno arde.
Novos desertos surgem ao cair da tarde.
O mar avança
E alcança
a nossa vaidade.
Deus! quanto é vã a nossa ansiedade.
Entanto, indiferentes,
Erguemos túmulos litorâneos
E os batizamos:
Cidades.
...mas descobri, enfim,
que o arco da minha rabeca é árabe.
Quem diria...
O arco da minha rabeca é árabe.
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Eurico
(poema dito com mais clareza)
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4 comentários:
Eurico, que lindíssimo poema (e que bela foto). O arco da sua rabeca tocou as cordas da minha alma. Obrigada por tanta beleza.
Abraço
É com muito, mas muito prazer que agora participo de seu blog!
Lindíssimo!!
Música bárbara...delicioso mesmo!
Esteja sempre "lá" também, olhando dentro de meus olhos!
Um beijo no coração e linda quarta-feira!
Bia Maia
http://olhardentrodosolhos.blogspot.com
Bondade tua, Gerusa. Mas te agradeço.
Bia, prazer em ter vc por perto. Estreitemos a amizade. O mundo carece de amizade e de fraternidade.
Abraços.
Bia, mudei a música por força da ambientação que busco no blogue. Mas em breve volto a Chopin.
Um abraço, com olhos nos olhos!
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