
É pra nos vermos, sim, é pra nos vermos
Que fabricamos
essas poças d'água contra o sol.
De vidro, todos os poemas
teoremas
apotegmas
todos os di-lemas.
Di-frações
Lentes espelhadas
(Luz, quero luz...)
Todas as pedrinhas lançadas no espelho d’água
E a flor das ondas reverberando...
Tudo isso, e ainda querer dos filhos
que sonhem como um dia sonhamos.
E que enxerguem o mesmo mundo que vi(ve)mos
Ajustar o foco,
Olhar nos próprios olhos
E revelar que não te amo.
Em verdade, eu me amo em ti.
Todos os postulados
Todas as teses
Os aforismos
Os vaticínios.
Sim, esses poemas,
vitrais,
bulbos de vidro soprados de dentro da alma,
São a maneira de re-ver
nesse afluente heraclitiano
que leva, sempiternamente,
Essa imagem, essa imago...
Esse auto-retraço.
Esse Eu.
Eurico
fev/2008
(A imagem é o Narciso de Caravaggio.)
Um comentário:
"É pra nos vermos, sim, é pra nos vermos
Que fabricamos
essas poças d'água contra o sol."
sim, versos do diverso, poeta, nos quais e através dos quais o surrealismo emerge e submerge, do sol na poça d´água e desta no sol, e eis o eu-lírico, seu alter-retrato, seu sol-retrato, na água da poça, e assim singulariza-se em poema, o poema. belo poema e obrigado pela visita.
saudações,
luis de la mancha
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