
Uma Epígrafe
"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]
sexta-feira, agosto 29, 2008
Ave, Palavra: um poema em prosa

terça-feira, agosto 26, 2008
quinta-feira, agosto 21, 2008
Vigília

terça-feira, julho 22, 2008
Ave, Poesia! Ave, Poeta! Ave, Dora Vilela!

E eu que ando me esfalfando a buscar nos mitemas, nos arquétipos e outras imagens do meu pobre inconsciente, o embasamento da minha parca e bissexta poesia, subitamente, recebo esse verdadeiro encontro com o numinoso, no blogue da Dora Vilela. Não resisti e trouxe comigo, para quem quiser alimento para a alma, nesse mundo tão carente de beleza. Ave, Poeta! Ave, Poesia! Ave, Dora Vilela!
Exegese
O que não existe significa a entrelinha.
E um mundo cabe aí, de mistério e crença.
O que não cabe na palavra é cabível no segredo particular.
Ninguém sabe a face interna do meu rosto que sorri,
nem mesmo eu.
Simbolizamos a vida na ação aleatória do tempo a se esvair.
Meu testemunho comunica apenas que existo na pulsão dos momentos.
Não há significado para este signo que se desenha na palavra VIDA.
autora:
Dora Vilela
Fonte do texto e da imagem:
http://pretensoscoloquios.zip.net/
quarta-feira, julho 16, 2008
Pequena Fauna Poética
Quando eu-menino ouvia
os lobos da ventania
soprando ovelhas nas nuvens.
Meu coração disparava
(me dava um medo esquisito,
seria isso um meu mito?)
e eu me abraçava, eu-menino,
a um vira-latas mofino,
que nem eu era, também,
franzino e desamparado.
E eu lhe dizia ao ouvido:
(não tenha medo Bandit,
mamãe foi ali, na feira,
papai já vem do trabalho).
Quando eu estava inquieto
me acalmavam lebristas
que nadavam em garrafas
translúcidas, ornamentais.
Ornamentais, os meus saltos
de pontes imaginárias,
a mergulhar nesse rio,
heraclitiano rio,
que não parava, e não pára...
Por esse tempo ainda
me andava a alma contrita
com as sensações de meu corpo:
um tio meu criava porcos
e eu os via javalis;
Minha avó bordava rendas.
Trago os bilros dentro em mim
e costuro pelo avesso
isso que ledes aqui.
Meu avô me dava livros:
Esopo, Andersen, Grimm.
Onde os trago?
E eu lá sei!
Mas emoções são perigos:
um dia quase me mato,
(se não fosse a borboleta,
a cochilar no casulo,
que me chamou a atenção...)
quase que, pássaro, pulo,
em queda livre e ligeira
do alto da pitombeira.
Mas não sabia voar.
Dançar? Dançar eu sabia,
essa dança ligeirinha
dos bodes nas cabritinhas,
bicho-do-mato que sou.
Vou lhes contar um segredo
há muito tempo guardado:
as emoções são crianças,
aprendem fácil a brincar
e gestam lendas e mitos
(que lhes sopram anjos bonitos)
de lobos, nuvens, cabritos.
Esses ditos viram escritos
que gente velha e sisuda
vai seu mistério estudar...
Se isso é poesia?
E eu sei lá!
poema sem data
*
A imagem é um esboço em papel de seda
para um óleo sobre tela de autoria
de meu saudoso avô Luiz Eurico de Melo
sexta-feira, julho 11, 2008
Natureza-morta com Caju
(linossignos cassianos sobre papel sulfite)Busco-
me, frágil e
p
ê
n
s
i
l
infrutescência,
a casca mascarada,
o broto ácido,
p
i
n
g
e
n
t
e
e FLÁCIDO;
IN/tensa realidade macerada,
ranço e nódoa,
que se me
e
s
c
o
r
r
e
peloscantosdalma.
Onde estou frondoso?
Em que sítio de mim sou Eu e eterno...?
Maturi-pêndula
in/ventos sazonais,
Oscilo ao Tempo,
invento cajuais.
Des/fruto
aquém,
a
Q
U
E
D
A
além,
o NADA...
ou a sempiterna seiva nacarada?
Eurico
poema datado de 05/02/97
a imagem é a capa do Eu-lírico nº 11/1997
desenho de Eugenio Paxelly
quarta-feira, julho 09, 2008
Galochas (releitura)
Vagidos antes do ontem, por mais ontens havidos...
Sussurros edênicos.
Urros em Ur.
Salmos em Salém.
Sylva e Pólis & Cia;
Abissal_catadupa.com
Chovia muito e eu em galochas.
(um singular no coletivo: risos)
Risível, o tempo...
Tríbio, flui.
Panta rei!
Vórtices, volutas, pipas e piões...fugazes.
Fugazes pedras às mangas do alheio...
Fui...
Eurico
22.06.06
segunda-feira, junho 16, 2008
Dora também fazia ranhuras mitopoéticas
BonecaElegia dos Golfinhos
sábado, junho 14, 2008
Ranhuras no ventre da baleia

“Agora, erramos, orgulhosos e tristes, de ato vão em ato vão,
Nos últimos dias, venho sentindo a sensação de estar criando um objeto inútil. Não há como escapar desse sintoma neurótico, sendo cidadão de um mundo niilista. Poderia alguém viajar no ventre da baleia sem ser digerido pelas secreções de suas vísceras; sem se corromper, sem sucumbir ante a volumosa força das entranhas do cetáceo?
Sempre acordo tomado pela angústia de ser parte de uma civilização que agoniza lentamente. Sento-me, todas as manhãs, diante dessa máquina e modelo uma estranha máscara mortuária. Folheio Osman Lins e deparo-me com a imagem desse animal autofágico. Somos contemporâneos de uma sociedade entrópica. De um organismo que se despedaça. Uma máquina programada para destruir a si mesma...
Enquanto modelo essa máscara, ouço ao fundo a voz dorida de Edith Piaf. Pela janela vejo a Ilha-sem-Deus. Invade-me as narinas, a maresia do ar. Meus cinco sentidos, as portas da minha alma, repentinamente alertas para essa apreensão lírica do mundo. Um lirismo arrebatador, como um súbito acréscimo da receptividade disto que me circunda. Percebo, apavorado, uma dilatação dionisíaca do real. Eis que o grande Pã me sufoca! Sinto-me diante da perspectiva de ser devorado pelas mandíbulas dessa alimária espantosa, que estertora, enquanto que me arrasta no seu ventre. Do fundo da alma me chega uma oitava de Camões:
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da Terra tão pequeno?”
Não sei por que insisto nesse tema. Minha psicanalista, ao ler a ELEGIA PÓS-MODERNA, poema que eu acabara de escrever, aconselhou-me para que me ocupasse com amenidades.
— Ninguém se interessará por essas coisas, Poeta, ponderava ela.
Foi o bastante: abandonei seu consultório e nunca mais voltei lá.
Conforta-me constatar, ao ler Osman e Roger Garaudy, essas duas grandes almas, que desde 1968, eles também estavam debruçados sobre o mesmo tema... Nesse tempo, o Green Peace mal dava os primeiros vagidos...
Estaríamos todos criando uma obra inútil e sem sentido?
Pouco me importa! Arranharei, com unhas afiadas, o ventre verde-oliva desse anfíbio. Creio ser esta a única atitude possível a quem navega nessa bizarra embarcação.
***
quinta-feira, junho 12, 2008
Deus é pernambucano!!!
que cumpriu um desígnio prefigurado no seu símbolo,
ao se tornar o legítimo
Campeão da Copa do Brasil 2008!!!
Congratulo-me com o Mestre Ariano Suassuna,
legítimo representante da torcida que é a maior do nordeste!!!

