
Não ajunteis tesouros na terra...
Mt 6:19
Toda memória é argêntea.
Subterrânea.
Nela não há oiro.
Inúteis, pois, os tesouros sem mapa...
De que adianta a filha
E essa multidão?
Agora tudo é ilha.
E todo o esforço é vão.
Um fado inesperado.
Sim, uma velha música distante.
E estar exausto.
Toda memória é argêntea.
Caverna silenciosa e erma.
Inúteis, pois, os movimentos.
Não há mais oiro algum.
14 comentários:
O jeito lusitano com que você escreve estes versos tem dado a eles uma beleza extra.
Abraço.
Eurico, as vezes ficamos de mãos atadas, temos que acreditar em forças superiores e pedir serenidade para ajudar com as nossa ações.
abraços para você e Kelly
Dauri, amigo, vc sempre descobre algo nos meus textos. Prezo os arcaísmos, sim. E certa construção ao modo luso. Mas, nesse caso, o arcaísmo remete à memória (da palavra) e da pessoa a quem dedico o poema. Vc captou bem demais.
Paulinha, vc q conhece a história de perto, sabe o q tento expressar com esse texto tão doloroso pra mim.
Abraçamigo e fraterno.
Eurico, dor transfigurada em arte, é arte. Que belíssimo poema.
Abraço
Gerusa
Expressar o sofrer assim, de um forma tão bela...
Que a poesia faça companhia no seu tempo de introspecção.
Beijo
Meu amigo, Lindo e triste, profundo...
Gosto da forma como você escreve, como se expressa...
Beijão!!!!
Olá Eurico, passamos quase ilesos pela seg...estamos quarta, mas dessa dor destaco este trecho...por ser ilha...
"De que adianta a filha
E essa multidão?
Agora tudo é ilha.
E todo o esforço é vão".
Um abraço na alma...valeu pela visita...
Plasticamente BELO... E argênteo, o sabor... Sem comentários mais, GRANDE POETA!
PAX ET BENE, Cumpadi!
Prof. Diógenes, bondade sua, mas se com 1,69m de altura se pode ser chamado de grande...rsrsrs Brincadeira.
Aceito só o poeta, que pra mim significa "fazedor", aquele que faz, vide poíesis.
Abraçamgo e fraterno.
Linda inquietação, Eurico !
Abr.fraterno. Yvy
Sempre há dor na ausência... Estranhamente o 'desgoverno' da memória nesse caso, é mais doloroso para quem está fora. Porque a quem a memória 'desabita', é criança outra vez...
Eu li há pouco que há momentos em que a diferença entre o berço e a lápide, é muito tênue...Isto nos deixa impotentes.
Mas sobre a lusofonia em teus poemas, eis aí uma reverência que te faço.
Aprendo contigo.
Eu sempre disse isto desde que nos conhecemos.
Forças, amigo.
Esse é o mal do século.
Precisamos aprender a lidar com Alzheimer.
Muito carinho,
Mai
Caro poeta!
Agora você me pegou de jeito. Caramba! Isso é refinar a arte de escrever. Minha mãe teve Alzheimer, durante cinco anos e foi salva do triste final por um infarto.
Vivi, ou re-vivi cada palavra intensamente. Riquíssimo poema-real.
Aguardo um sobre o Mal de Parkinson, que levou meu pai.
Beijos
Mirze
Ah, Mirze,
uma grande amiga foi acometida do mal aos 51 anos, coisa rara, mas violentíssima, e isso me fez escrever os 4 poemas dessa série.
Fiquei triste e revoltado.
Mas, o tempo me vai ensinando a serenidade.
Abç fra/terno.
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