Uma Epígrafe



"...Quanto à poesia, parece condenada a dizer apenas aqueles resíduos de paisagem, de memória e de sonho que a indústria cultural ainda não conseguiu manipular para vender."...[Alfredo Bosi, in O Ser e o Tempo da Poesia, p. 133]

domingo, junho 03, 2007

Uma Loa para o Mestre Diógenes















Aprecio certos vocábulos arcaicos, os quais, embora egressos de um léxico avoengo e desusado, continuam preservados pelo linguajar do povo.
Loar é um deles.
O verbo Loar ainda guarda os dois sentidos: tanto o da ação de louvar, fazer discurso laudatório; quanto o de intróito ao drama, prólogo, apresentação do espetáculo; como era costume, segundo Aurélio Buarque de Holanda, no teatro ibérico dos séculos XVI e XVII.
O povo nordestino, mui sábio, também costuma usar a loa, rimada e, quase sempre, metrificada, antes de engolir uma boa dose de cachaça. Antes de tomar a lapada, louva-se e introduz-se, em seguida, a bebida goela abaixo.
Esse é o meu intuito, e tão somente esse, ao apresentar, neste zine-blog literário, os poemas desse Mestre: introduzir os textos, antes da fruição da leitura. Louvação e introdução é o que querem ser essas palavras de pórtico. Loar. Loor. Loa.

Não sei se é propriamente uma fruição, o sentimento que nos traz a leitura dos textos abaixo, pois o Mestre Diógenes é dono de uma potência criadora próxima da dos pugilistas. Sua força poética quase nos nocauteia. As imagens acachapantes da sua agonia nos falam, também, da nossa agonia. Seus versos caosagonicos tratam de uma angústia que me faz lembrar, em sua essência, a de um outro Mestre, o grande basco Dom Miguel de Unamuno, cuja obra, A Agonia do Cristianismo, percorremos dia desses.
Assim como o Varão de Bilbao, também se esforça, Dom Diógenes Afonso, por apresentar-se ao leitor, não apenas como Poeta ou Autor, e sim, como um homem de carne e osso, com o flanco nu, adentrando a arena:

“o homem de carne e osso, aquele que nasce, sofre e morre, - sobretudo o que morre - aquele que come e bebe e joga e dorme e pensa e quer; o homem a quem vemos e ouvimos, o irmão, o verdadeiro irmão”.
( Unamuno)

Fala-nos o homem Diógenes que se problematiza, que se faz a questão de si mesmo (mihi quaestio factus sum, como em Santo Agostinho). Sua obra poética é, ela mesma, reduto e registro inominável de sua problematicidade. Como neste insólito e belo


INEQUAÇÕES:



Sou matemático de cabeça para baixo:
as inequações, marcas de minha impotência;
os números, teimosia de infinitude,
postergando o meu capturar definitivo.

Sou matemático de uma agônica geometria:
as linhas, tortas por um contorno inacabado;
as esferas, derretidas na frouxidão do tempo
(talvez, doidamente, mais lânguidas que os relógios-tempo de Dali);
os trapézios, trapalhadas trôpegas
de um discurso falido.


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No entanto, radicam-se no homem todas as realidades, e ao se impor como a questão de si mesmo, encontrará, irremediavelmente, o outro que não ele.
Dom Diógenes, como Unamuno, é um homem de seu tempo, que busca salvar a sua circunstância e com ela salvar-se a si mesmo. Ao chorar, num poema, as agruras de seu recém-nascido filho Victor, (hoje, um victorioso e saudável rapagão), chorava também as dores da alteridade, do próximo, do humano:




PRA QUE NÃO CHORES

(poesia pra Victor)

Porque a miséria, Victor,
tem o semblante da
morte
em vida que desponta
cadavérica e ameaçadora
como carvalho dês
aponta
no cerne da noite.

Porque a miséria, Victor,
faz disparar em
retirada
os sonhos que
por um,
por mil,
por milhões,
por infinitos... vãos desejos
se pretendem
sonhar!

Porque a miséria, Victor,
faz o seio do homem
inflar
de sangue-latino, latindo
como cão danado
uivo-desespero explodindo
inerte no ódio!

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Não escapará de si mesmo, tampouco do Deus em que acredita. Sua crença se apresenta sob certa tensão, certo embate interior com um cristianismo que professa crítica e crísticamente, quase dizia, unamunianamente. Bom exemplo disso é esse soco final, digo, poema final, que considero ser a obra prima de Dom Diógenes Afonso de Oliveira:
***


CAOSAGONIA: um acorde com ninguém.
*

Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu esbravejo matilhas ofegantes, espumando
Pela Caça Fugidia que desliza espectral
Dos ombros inefáveis de Deus.
*
Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu estremeço legiões de demonios, temendo
Pelo Tudo Distante que emerge seminal
Dos ombros inomináveis de Deus.
*
Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu... Que esbravejo por essa Caça,
Que estremeço por este Tudo,
Que enlouqueço por este Lugar-Nenhum,
Busco desbravar o labiríntico
Dessas sendas sem nomes:
Golpes golfando impotência
Diante dos ombros absurdos de Deus .
*
...........................................................(Diafonso).

Como arremate, trago esse poema de um homem que se confessa homem:


Ícaro (A vertigem)
Eis o homem:
Ícaro de asas amputadas
De alma pútrida...
Áptero... pávido...
Insano... sem dó... dor só!
Eis o homem!
Acordado sem acordes
Ccom os quais dançar
(dançarino do nada: dor só)
Eis o homem!
Acordado sem cor
Ccom a qual se pintar
(dândi do nada: dor só)
Eis o homem!
Acordado sem palavras,
Sem verbo,
Sem vida
Com a qual apodrecer
em seu túmulo caiado de trevas
(divindade do nada: dor só!)
Eis o homem:
Dançarino... nada!
Dândi... nada!
Divindade... nada!
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Veja mais em
ou
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Eurico
06/06/07
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quarta-feira, maio 30, 2007

ALCÁCER-QUIBIR revisitada


Uma monocromia armorial
dedicada a Dom Ariano Villar Suassuna







Vermelhidões no poente,
céu sangüíneo, incandescente.
Da porfia oiço o alarido:

Rezas,
.......rajadas,
...............rugidos.

sonho um sonho mal dormido:
de morte, em luta renhida,
foi Dom Sebastião malferido?

Feito de sonho é o que vejo:
estranhos carros de fogo
cruzam os céus sertanejos.
Ungem de luz a caatinga
Essas flamejantes bigas.
Vermelhidões no poente:
Seriam sarças ardentes?

Nos sertões os céus tão rubros:
sangue na chã de Canudos?

Ao longe oiço estampidos:
raios,
......trovões
............. e gemidos...

Vermelhidões no poente
rumores de gado e gente
clamor do sangue inocente:
hereges sangrando os crentes?

sonho um sonho mal dormido:
de morte,( ouço o rugido)
foi o Prinspe atingido?...

Vermelhidões no poente:
crepúsculo enceguecente,
E em estranho carro de fogo
Dom Sebastião soerguido...


Eurico

domingo, maio 27, 2007

Óxente, que blog arretado!


No pé da parede




Se vosmecê tem aquele orgulho danado pelas coisas do nordeste, acesse o blog arretado do poeta Jorge Filó.
Clique:
no pé da parede

Eu recomendo.
Eurico
27.05.07

sexta-feira, maio 25, 2007

Emoção proustiana



Eurico no Alto da Sé - Olinda
ao fundo a Bertioga e o casario mais que centenário


A mesma impressão que eu teria ao ouvir Beatles, Creedence, Renato e seus Blue Caps, ou antigas canções de Elton John, creio que senti ao achar ontem, no orkut, um velho amigo de infância. Veio à lembrança o tempo bom do Ginásio Pernambucano: as peladas na quadra, as descobertas no museu de história natural; tempo de amizade sincera, coisa rara hoje em dia.
Achei o Roberto Portella, um jovem senhor, um ano mais novo do que eu, que insistiu no seu sonho de desenhista, vindo de lá dos idos de 1968/69, quando nos mostrava seus interessantes desenhos em sala de aula. Hoje um imagemaker, webdesigner, sei lá eu, mas tudo dentro da área das artes plásticas por onde ele, decerto, enveredou.
Aquela turma do GP foi das melhores coisas da minha vida. Apesar do pânico que eram as aulas do Cláudio Estelita, que nos obrigou a fazer todos os exercícios da coleção Matemática Moderna, do Marcius Brandão, tínhamos ali muitos predestinados: o Jader, que hoje é médico; Zé Fernandes, físico, se não me engano; o Carlos Alberto, do nosso tempo, que morreu jogando pelo Sport e, o nosso Roberto Portella, que eu tinha certeza que seria da área de arquitetura, designer ou artes plásticas.
Registro aqui minha alegria de ter visto o belo trabalho feito pelo Portella e que está aberto ao público aqui, nessa rede, para deleite dos navegadores.
Acessem, pois:

http://www.robertoportella.com.br


E vejam as obras de arte desse exímio artista-digital, ou imagemaker, como usa dizer.
Parabéns, amigo.

Eurico
26.maio.2007

P.S.: depois dessa data, além do Portella, encontrei o Raul Manhães, médico e professor da UFPE, Ivan e Ivson, os dois irmãos que moravam em Areias, o Jader de Alemão Cysneiros, regente da banda, que, hoje, mora na Europa. Tive notícias do Rudex, mas falta reencontrar o Luiz Carlos de Souza, Caveirinha, o fera em matemática, que está morando em João Pessoa, segundo o Ivan. Ah, sempre vejo o Edvaldo Valentin, advogado, que já me defendeu em causa trabalhista contra o Bandepe. Ganhamos.
As notas triste são o falecimento do Jader Lucena, médico e do Irandé. Que Deus os tenha!

quinta-feira, maio 24, 2007

ÍNDIOS



“...nos deram espelhos, vimos um mundo doente...”
Renato Russo



Certo dia descobrimos uns galegos
Com seu deus crucificado
e, incautos, nos entregamos, cordeiros,
ao holocausto...

Descobrimos a Europa
Com os seus princípios...de bosta,
seus missais e arcabuzes,
a sua ciência morta,
E com as doenças de um mundo
ranzinza e antivital.
Nesse dia tão medonho
nos tornamos Portugal.

Contaram-nos do amor desse deus manso e pacífico,
por seus tataravós assassinado,
E, poluindo nossas almas inocentes,
nos vestiram com esse manto fictício,
e esses valores nauseabundos do ocidente.


Quem sabe, Nietzche, salve-nos, quem sabe,
pela transvaloração dessa cultura.
E que a Tribo também morra ensandecida
nesse velho Novo Mundo infectado pela usura,
com rosários de prata sobre o peito.
e pedaços de oiro em nossos dentes.

Mas morramos numa festa do Quarup
sem pecado, sem medo e sem mentiras,
celebrando a floresta ou a que nos resta
alegremente livres...
sim, felizes!


Eurico 2006

quarta-feira, maio 23, 2007

Ouvir galáxias? Perdi o senso!


Não gosto dele, do Olavo. Não é nada contra a forma fixa e metrificada dos versos parnasianos. O problema é outro: ele foi o a autor da lei que tornou obrigatório o serviço militar no Brasil. Servi no 14º RI e não gostei. rsrsrs
Mas, como bom Esferista, farei como o mestre Dom Eugenio Paxelly, o pai do Esferismo, nos orientava, e buscarei ver o lado bom desse poeta/deputado. Aliás, depois que o Belchior musicou o "ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!" que tantas vezes ouvi, nas recorrentes e malfadadas ocasiões das perdas amorosas juvenis, fui levado a ler os sonetos que abaixo transcrevo, pirateado da net. Cito a fonte, é claro!
E vamos ao Olavo!

P.S.: a favor do Olavo temos os bons poemas neo-parnasianos do Bandeira e do Vinicius, embora eu prefira, questão de gosto, o Drummond e o João Cabral.



VIA-LÁCTEA
Olavo Bilac

(fragmento)



XIII

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi:”Amai para entende-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.




XXVII

Ontem – néscio que fui! - maliciosa
Disse uma estrela, a rir, na imensa altura:
“Amigo! uma de nós, a mais formosa
De todas nós, a mais formosa e pura,

Faz anos amanhã... Vamos! procura
A rima de ouro mais brilhante, a rosa
De cor mais viva e de maior frescura!”
E eu murmurei comigo: “Mentirosa!”

E segui. Pois tão cego fui por elas,
Que, enfim, curado pelos seus enganos,
Já não creio em nenhuma das estrelas...

E – mal de mim! – eis-me, a teus pés, em pranto...
Olha: se nada fiz para os teus anos,
Culpa as tuas irmãs que enganam tanto!


XXXV

Pouco me pesa que mofeis sorrindo
Destes versos puríssimos e santos:
Porque, nisto de amor e íntimos prantos,
Dos louvores do público prescindo.

Homens de bronze! um haverá, de tantos,
(Talvez um só) que, esta paixão sentindo,
Aqui demore o olhar, vendo e medindo
O alcance e o sentimento destes cantos.

Será esse o meu público. E, decerto,
Esse dirá: “Pode viver tranqüilo
Quem assim ama, sendo assim amado!”

E, trêmulo, de lágrimas coberto,
Há de estimar quem lhe contou aquilo
Que nunca ouviu com tanto ardor contado.


Fonte:
BILAC, Olavo. Antologia : Poesias. São Paulo : Martin Claret, 2002. p. 37-55 : Via-Láctea. (Coleção a obra-prima de cada autor).

Texto proveniente de:
A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro
A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo
Permitido o uso apenas para fins educacionais.

Texto-base digitalizado por:
Anamaria Grunfeld Villaça Koch – São Paulo/SP

Este material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para .

Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se você quer ajudar de alguma forma, mande um e-mail para e saiba como isso é possível.


Eurico
23 de maio de 2007

sábado, maio 19, 2007

Brasa e mel










A criança vê fundo e antes
um mundo feito em relações desconcertantes.
Faz a eternidade,
agarra o instante,
consegue ver até, olhos ausentes,
o modo sutil,
em que do sono da brasa, latente,
brota o mel...

A criança é mãe do sonho,
sabe os secretos sentidos,
tem a ciência da fauna
e a presciência da flora,
conhece o segredo antigo
que da pequena semente
faz surgir o baobá.

Os gregos chamavam physis
e os romanos, natura;
e a criança, sem dar nomes,
brinca com as coisas futuras,
desmonta o reino dos homens
governa o reino do céu,
paira com Deus sobre as águas,
toma banho de chapéu.

A criança doma o medo,
rasga o finíssimo véu
sobre o sentido da Vida:
Só ela sabe o segredo
o indizível segredo,
com que a brasa gera o mel.


06.07.2000
de uma conversa de ateliê

segunda-feira, maio 14, 2007

O Visitador Romano



A liberdade de pensar, a liberdade de culto, a liberdade, enfim, (o próprio livre arbítrio, que já deve estar gravado no inconsciente coletivo) estremeceu por esses dias, com a passagem, ainda que breve, do Visitador Romano por essa terra brasilis.

Celebremos sua partida e demos graças a Deus por lhe ter tirado os poderes que há séculos atrás nos afligiram.
Que vá em paz, de volta ao Vaticano, o Sumo Visitador, ostentando sua pompa, hoje inócua - gratia Dio! - e sem a tenebrosa força com que supliciou tantos irmãos do livre-pensar.

Saúde e fraternidade a todos!

P. S.: como não é nosso desejo ferir os muitos amigos e irmãos católicos que temos, declaramos que não há aqui nenhum anti-clericalismo. Sou fã de Dom Hélder, Pe. Reginaldo Veloso, Irmã Dulce e Leonardo Boff. Também venero Maria e amo Jesus. Sei, no entanto, que eles jamais aprovariam o Santo Ofício, nem silenciariam a Teologia da Libertação, por exemplo. O que temo é a hipocrisia e a tentativa de desfazer o estado laico e plural, que conseguimos a preço de tantas mortes e privações. É isso!

domingo, abril 08, 2007

PÁSSARO






O poema é o pássaro,
Vôo repentino:
Coisa no fulgor de sua própria presença;
O poema é o impacto,
Olhos de menino:
Nariz esmagado nas vidraças da essência;
Assombro lírico,
Fascínio órfico,
Subitânea iluminação do ser:
O poema é o pássaro,
Ave essencial.


Eurico 02/04/07

sábado, março 31, 2007

Zé-ninguém


mais um capítulo do meu romance esferista Bóstrix n'água









Capítulo LXIII - Zé-ninguém



Atentem para essas expressões:
cidadãos comuns, massa ignara, multidão anônima, populares, massa de manobra, e outras correlatas.
Falácias, bazófias, é o que são.
Arrancam do povo, do comum dos mortais, o direito à sua originalidade, à sua autenticidade enquanto indivíduos, e os jogam na vala comum dos zés-ninguém. Isso já é, em si, uma monstruosa manipulação urdida por certos ideólogos da cultura dominante, dos condutores das mentes videotas, dos sofistas da post-modernidade.
Infelizmente o povo não ouviu Nietzsche, quando anunciava a chegada de um certo monstro das botas envernizadas. Uns interpretam esse monstro nietzcheano como sendo o Estado, que se imiscui em nossas vidas, nos invade e nos priva de qualquer possibilidade de liberdade. Mas esse assombroso ser é bem mais do que Estado, é o Mass Media, veículo ideal do kitsch, o enformador de gostos e tendências caricatas, massificador dos subprodutos de culturas alheias e que considero, hoje em dia, o terrível pulverizador da reserva cultural e da espontaneidade dos homens genuínos que habitam em todas as partes desse lado ocidental de nosso planeta azul.

(discurso delírico de um interno do Hospital Ulysses Pernambucano)

Nota: a foto é Rendição de Canudos, de Euclydes da Cunha, o próprio.
Fonte: www.vidaslusófonas.com